Ainda não parti e já levo saudades
As horas passam. Estou no lounge de um hotel no Porto, com um mojito à minha frente e menos de vinte e quatro horas entre mim e a viagem. O gelo vai cedendo devagar. Penso que amanhã estarei a muitos quilómetros daqui e a distância, que até agora era uma coisa abstrata, começa a fazer-se sentir no corpo. Ainda não atravessei o oceano e já tenho saudades. É curioso como, na véspera de uma partida, a vida habitual ganha uma nitidez inesperada. Apetecem-nos as vozes de todos os dias, as conversas que interrompemos porque haveria tempo para as continuar, a presença dos nossos filhos, mesmo quando estão apenas noutra divisão da casa, ocupados com a sua própria vida. Basta sabê-los ali. Agora, sentada neste hotel, penso nessa felicidade discreta de estarmos perto sem precisarmos de fazer nada de especial. Ser mãe é o maior feito da minha vida. E digo-o com a consciência de que os meus filhos são pessoas a descobrir os seus próprios caminhos, a fazer escolhas, a tornar-se quem de...