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Ainda não parti e já levo saudades

As horas passam. Estou no lounge de um hotel no Porto, com um mojito à minha frente e menos de vinte e quatro horas entre mim e a viagem. O gelo vai cedendo devagar. Penso que amanhã estarei a muitos quilómetros daqui e a distância, que até agora era uma coisa abstrata, começa a fazer-se sentir no corpo. Ainda não atravessei o oceano e já tenho saudades. É curioso como, na véspera de uma partida, a vida habitual ganha uma nitidez inesperada. Apetecem-nos as vozes de todos os dias, as conversas que interrompemos porque haveria tempo para as continuar, a presença dos nossos filhos, mesmo quando estão apenas noutra divisão da casa, ocupados com a sua própria vida. Basta sabê-los ali. Agora, sentada neste hotel, penso nessa felicidade discreta de estarmos perto sem precisarmos de fazer nada de especial. Ser mãe é o maior feito da minha vida. E digo-o com a consciência de que os meus filhos são pessoas a descobrir os seus próprios caminhos, a fazer escolhas, a tornar-se quem de...

É primavera do outro lado

Faltam dois dias para ir para o Brasil e ainda não fiz a mala. Tenho roupa por escolher, coisas por organizar e uma extraordinária capacidade de passar de uma divisão para outra sem me lembrar do que lá fui buscar. Os planos continuam por fazer. A ansiedade, em contrapartida, já tratou de tudo: chegou ao aeroporto, procurou a porta de embarque, contou as horas de voo e imaginou pequenas dificuldades para as quais ainda nem sequer existem palavras. Olho para mim e quase me rio. A mulher que vai atravessar o Atlântico para falar numa conferência anda pela casa à procura de uma tranquilidade que deve ter pousado em qualquer lado. Por fora, pareço-me bastante com uma pessoa capaz. E sou. Tenho aprendido, ao longo dos anos, a resolver problemas, a tomar decisões, a entrar em salas desconhecidas, a encontrar palavras quando alguém espera que eu diga alguma coisa. Essa parte de mim existe e merece a minha confiança. Mas há outra que, nestes dias, me puxa discretamente pela m...

Gostaria sempre de ti ...

Preocupo-me cada vez menos em parecer. Parecer mais segura, mais conveniente, mais próxima daquilo que os outros esperam de mim. Há um cansaço particular em vigiar cada palavra, em esconder o entusiasmo, em disfarçar uma tristeza só para sermos mais fáceis de aceitar. E eu gosto demasiado da liberdade de ser quem sou. Gosto de poder dizer que não sei. De me comover com uma coisa pequena, de fazer perguntas, de mudar de opinião quando descubro alguma coisa que me obriga a pensar melhor. Gosto de rir sem calcular a elegância do riso. De conversar sem estar a preparar uma personagem que possa agradar a quem me ouve. Talvez a profundidade comece aí, nessa disponibilidade para estar inteiro diante de alguém. Pode existir numa conversa simples, numa brincadeira, numa pergunta cuja resposta se quer verdadeiramente ouvir. Há pessoas que entram na nossa vida e acrescentam espaço. Ao lado delas, conseguimos pensar com mais liberdade, dizer o que nos custa, experimentar uma versão...

Até sermos velhotas

Eu já nos tinha imaginado velhotas. A repetir histórias, a corrigir a memória uma da outra, a rir antes de chegar à parte que tinha graça. Haveríamos de ter opiniões sobre tudo e tempo para as discutir. Quando lhe disse que a queria comigo por muitos e bons anos, era nesse futuro que eu estava. Tinha-lhe guardado um lugar. Ela respondeu que não. Viver muitos anos não fazia parte dos seus planos. Era grata pela vida, pelos amigos, pelos dons que Deus lhe ia concedendo. Mas a sua fé permitia-lhe imaginar, para lá do que conhecemos, uma existência luminosa. Quando a vida chegasse ao fim, aceitaria partir. Não sentia a minha vontade de prolongar a demora. Compreendi o que me disse. E fiquei angustiada. Há coisas que conseguimos compreender sem que o coração encontre maneira de se acomodar a elas. Enquanto ela falava da sua paz perante o fim, eu pensava na falta que me faria. Talvez estivéssemos a ter duas conversas dentro da mesma conversa: ela a falar da relação com a ...

Paradoxalmente

"És um paradoxo" disse-me ontem uma amiga. Fiquei a pensar naquilo. Talvez ela tenha razão. Gosto de resolver exercícios de matemática e de me demorar numa página de filosofia que me deixa mais perguntas do que aquelas com que comecei. Gosto da precisão de um cálculo e da liberdade de uma frase. Há dias em que preciso de compreender o funcionamento das coisas; noutros, basta-me ficar a olhar para elas. Um pôr do sol, por exemplo. Conhecer a explicação do porquê daquelas cores nunca me diminuiu o espanto. A verdade é que sou uma mulher com várias camadas. Algumas reconheço desde pequena, outras foram-se formando com os anos, com as pessoas, com aquilo que escolhi e com aquilo que a vida decidiu sem me consultar. Tenho convicções que amadureceram e certezas de que hoje me rio. Tenho uma coragem que, por vezes, chega depois do medo, e uma fragilidade que continua aqui, mesmo nos dias em que todos me acham forte. Essa força foi-se reunindo devagar, e veio de resol...

Quando a máscara cai

Há uma forma silenciosa de gostar de alguém: continuar a cuidar dessa pessoa quando ela não está presente. No modo como se fala dela, no respeito com que se guarda o que nos confiou, na delicadeza de não transformar as suas fragilidades em assunto de conversa. Dou muito valor a isso. Gosto de sentir que posso sair de uma sala sem que o afeto mude de voz assim que fecho a porta. Com o tempo, fui percebendo quanto me fazem falta pessoas junto de quem posso descansar. Pessoas cujas palavras têm morada nos gestos. Que sabem discordar de mim olhando-me nos olhos e que conservam, na minha ausência, o respeito que me mostram quando estamos juntas. Essa coerência dá-me uma tranquilidade difícil de explicar: permite-me estar numa relação sem ter de andar sempre a verificar se o chão continua lá. Vivemos tempos em que parece haver uma personagem adequada para cada ocasião. Escolhe-se a opinião que fica bem à mesa, o entusiasmo que aproxima das pessoas certas, a indignação que reúne ma...

Negligência que deixa marcas

Há uma forma de negligência que não faz barulho. Não parte vidros, não levanta a voz, não deixa marcas visíveis. Instala-se devagar, como pó sobre os móveis, até que tudo parece naturalmente baço. É a arte triste de fazer pela metade, de cumprir calendário em vez de cumprir missão. Ensinar mal não é apenas explicar mal uma matéria. É muito mais do que isso. É entrar numa sala como quem entra num elevador: carregar num botão, esperar que o tempo passe, sair no andar seguinte sem ter verdadeiramente estado ali. É repetir palavras sem lhes dar raiz. É cumprir horários sem cumprir consciência. E, no entanto, há sempre alguém do outro lado — olhos abertos, cadernos prontos, futuros frágeis como porcelana fina. Preparar mal é uma forma de abandono elegante. Fica tudo aparentemente em ordem: conteúdos dados, avaliações feitas, papéis assinados. Mas falta o essencial — a responsabilidade de saber que cada descuido é uma pedra colocada no caminho de quem ainda nem aprendeu a desviar-se....

Uma tarde por preencher

Há crianças que sabem de cor os dias da natação, do inglês, da música e do treino. Sabem em que saco vão as sapatilhas, em que mochila ficou a flauta e a que horas é preciso estar à porta. Transportam pequenos calendários dentro da cabeça. Se lhes perguntarmos quando podem não ter nada marcado, talvez precisem de consultar um adulto. Os adultos, entretanto, fazem o melhor que sabem. Conduzem, esperam, preparam lanches, procuram horários compatíveis com outros horários que, por sua vez, já eram incompatíveis com quase tudo. Há famílias que mereciam uma medalha de logística ao domingo à noite. E, no meio desta engenharia, existe quase sempre uma intenção bonita: dar oportunidades aos filhos, ajudá-los a descobrir talentos, oferecer-lhes aquilo que, por vezes, os próprios pais não puderam ter. Aprender é, de facto, uma das grandes aventuras da vida. E essa aventura acontece em muitos lugares. Na escola, num campo de jogos, numa sala de música, num palco, num passeio. O desporto p...

Quem sou quando alguém me olha

Não sei em que parte da vida nos perdemos. Desconfio de que raramente acontece de uma vez. Vamos ficando um pouco para trás nos lugares onde tivemos de ser fortes, nas palavras que engolimos, nas despedidas para as quais ninguém nos ensinou uma resposta. Um dia, ao dizermos o nosso nome, demoramos um instante a reconhecer a pessoa que responde. Também não sei exatamente como nos encontramos. Há encontros connosco que acontecem muito discretamente: numa conversa em que baixamos a guarda, numa gargalhada que nos surpreende, na liberdade de dizer que estamos cansados sem acrescentar uma justificação. Já vivi coisas que ninguém deveria precisar de viver. Vi e senti o que ainda hoje tenho dificuldade em acomodar dentro das palavras. Algumas lembranças continuam sem nome. Sei onde estão, reconheço-lhes o peso, mas nem sempre consigo abrir a porta do lugar onde as guardo. Reconstruí-me muitas vezes sozinha. Houve dias em que fui apanhando do chão os cacos da pessoa que era, se...

O que cabe num «mas»

Ontem ouvi uma frase que me incomodou: «É importante saber resolver equações, mas mais importante é ter educação emocional.» Fiquei a pensar nela. Na facilidade com que algumas frases recebem a aprovação de uma sala inteira, enquanto deixam, algures, uma pequena injustiça por esclarecer. Soam bem, parecem generosas, trazem palavras de que todos gostamos. E, no entanto, talvez mereçam que lhes façamos perguntas antes de lhes oferecermos o nosso acordo. Mais importante em que circunstâncias? Para quê? E por que razão precisamos de colocar estas duas aprendizagens numa competição? Compreendo a preocupação que pode estar na origem da frase. Uma escola absorvida pelos resultados pode esquecer o que se passa dentro de quem aprende. Pode reparar na descida de uma classificação e não reparar na tristeza que a antecedeu. Pode ensinar um aluno a responder a todas as perguntas de um teste sem lhe dar espaço para dizer que está assustado. Essa preocupação é necessária. Como profess...

Há fins de semana que passam depressa demais…

Há fins de semana que deviam ter mais horas. Não necessariamente mais dias, porque isso seria pedir demasiado ao calendário, mas umas horas escondidas nos bolsos do tempo, daquelas que pudéssemos tirar quando a vida nos oferece aquilo que verdadeiramente importa. Este foi um desses fins de semana. Um fim de semana cheio de trabalho, de responsabilidades, de tarefas que não sabem esperar e de relógios que parecem correr sempre um bocadinho mais depressa do que nós. Sábado, trabalhei até tarde. Domingo, a manhã voltou a pertencer aos compromissos. Há semanas assim, imparáveis, em que os dias se atropelam uns aos outros e as listas de coisas por fazer parecem reproduzir-se durante a noite, sem pedir autorização. Mas, no meio desta correria toda, aconteceu uma daquelas coisas simples que fazem uma mãe sentir que tem o mundo inteiro dentro de casa. Tive os meus dois filhos comigo. Ao mesmo tempo. Debaixo do mesmo teto. E isto, que durante tantos anos foi a coisa mais natural do m...

O sol do lado de dentro

Há sábados que começam às oito da manhã e só pousam o lápis às oito da noite. Pelo meio, cabem muitos alunos, muitas horas de Matemática, vários níveis de ensino e uma quantidade de dúvidas que, se fosse possível arrumar em caixas, exigiria uma sala maior. Este foi um desses sábados. Longo, cheio, diverso. E vivido com a mesma alegria e o mesmo entusiasmo em cada hora dada. Lá fora, o sol brilhou. Cá dentro, também. Há uma luz muito particular naquele instante em que um aluno levanta os olhos do caderno e diz: «Ahhh… agora faz sentido!» Gosto de assistir a esse momento. A expressão muda, os ombros descontraem-se, o lápis regressa ao papel com outra vontade. Uma coisa que parecia impossível começa a ganhar contornos. E, por alguns segundos, até uma equação pode iluminar uma sala. Ensinar é ter o privilégio de acompanhar estas pequenas mudanças. Perceber onde se perdeu o fio, recuar o necessário, escolher outro exemplo, experimentar outra pergunta. Há quem precise de ...

Roubaram-me uma página. A história continua.

No dia em que me hackearam as contas do Instagram, senti-me como quem chega a casa e encontra as gavetas das memórias vazias. Na página da Academia estavam anos de partilhas. Anos de trabalho, de dedicação, de momentos únicos que tinham encontrado ali uma maneira de ficar. Pequenos pedaços da nossa história, guardados com a confiança de quem acredita que poderá voltar para os visitar. De repente, deixei de lhes poder chegar. Há uma tristeza muito particular em perder assim aquilo que fomos construindo devagar. Nós sabemos o que estava dentro de cada publicação. Sabemos o tempo que lhe demos, a alegria com que a escrevemos, o motivo pelo qual quisemos guardar aquele instante. Para quem invade, talvez tudo se resuma a uma conta. Para quem fica deste lado, há vida lá dentro. E é isso que me custa compreender: o que leva alguém a entrar no espaço de outra pessoa e a estragá-lo? Que satisfação pode haver em causar esta tristeza? Em tocar no trabalho dos outros com tamanh...

Os bichinhos carpinteiros também vão à escola

Eu fui uma daquelas alunas que acabavam depressa as tarefas só para poder ir brincar mais depressa e ficar com o resto do tempo livre para dar espaço às minhas ideias e criatividade. Conversava com quem estava ao lado, combinava brincadeiras para o intervalo, encontrava assuntos que, naquele instante, me pareciam demasiado importantes para esperar pelo toque. Tinha os chamados «bichinhos carpinteiros». Imagino que trabalhassem por turnos, porque havia sempre algum de serviço. Os meus professores percebiam isso. Davam-me outras tarefas, propunham-me um desafio, pediam-me que ajudasse um colega. Encontravam maneira de dar uma direção àquela energia. E, quando me confiavam a tarefa de explicar alguma coisa a alguém, ofereciam-me também uma responsabilidade: precisava de escutar, de ter paciência, de procurar palavras que o outro compreendesse. Aprendia enquanto ajudava. Nunca me fizeram sentir que havia qualquer coisa de errado comigo por ter vontade de falar, por estar content...

Dias sem fim

Há semanas que começam antes de termos acabado de respirar as anteriores. Esta começou assim: comigo ainda a tentar pousar o que trazia nas mãos, e a vida a entregar-me mais coisas. Os dias passam dentro da minha sala, entre números, perguntas, cadernos abertos. Ensino Matemática. Procuro maneiras de tornar compreensível aquilo que, ao princípio, parece impossível. Digo que vamos por partes, que podemos voltar atrás, que ninguém tem de perceber tudo à primeira. E, enquanto ofereço aos outros esse tempo, vou fazendo contas ao pouco tempo que me concedo a mim. Há qualquer coisa de profundamente humano em saber ser paciente com quem aprende, mas ao mesmo tempo, há algo de profundamente triste quando sou tão impaciente comigo. Entre uma explicação e outra, penso no que ficou por fazer. O trabalho de casa começa muito antes de eu chegar a casa: acompanha-me durante as aulas, senta-se ao fundo da sala, levanta o braço quando tento pensar noutra coisa. Há sempre uma tarefa à esp...

É tempo de guardar

O outono chegou. A chuva ameaçou, demorou-se na promessa, mas caiu. O outono chegou. Sente-se na luz de cada dia, nesse ouro mais inclinado que entra pelas horas dentro; na tarde que escurece cedo; na brisa fria que, de manhã e ao fim do dia, nos procura a pele. Hoje assei castanhas e maçãs com canela. E o cheiro delas trouxe consigo qualquer coisa muito antiga, como se a casa se tivesse lembrado de uma história que ninguém chegou a contar-lhe. Há gestos que parecem vir de longe. Reconhecemo-los nas mãos antes de encontrarmos palavras para eles. A terra começa a recolher-se. Abranda, guarda, prepara o escuro. Debaixo do que vemos, prossegue uma vida discreta: raízes, sementes, o trabalho miúdo de tudo o que precisa de silêncio para continuar. À superfície, oferece-nos os últimos excessos de cor. As romãs guardam uma multidão vermelha dentro de um só fruto. Os dióspiros parecem ter recolhido a luz das tardes para a deixar amadurecer devagar. Os cogumelos surgem com...

Ler torna-nos menos vazios

Gosto de imaginar que, quando alguém abre um livro, o mundo ganha um pouco de espaço. A pessoa continua sentada na mesma cadeira. A janela dá para a mesma rua. Lá fora, alguém espera pelo autocarro, uma árvore perde uma folha, a tarde prossegue os seus pequenos trabalhos. Mas, dentro daquele silêncio, pode estar a começar uma viagem. Há uma cidade por conhecer, uma vida diferente da nossa, uma pergunta que ainda não tínhamos aprendido a fazer. Talvez uma das coisas mais bonitas da leitura seja esta possibilidade de alargar a vida a partir de um gesto tão pequeno. Entre duas capas cabem séculos, oceanos, descobertas, enganos. Cabe alguém que viveu muito antes de nós e que, por algum motivo, parece conhecer uma inquietação que julgávamos só nossa. Cabe uma ideia capaz de nos acompanhar durante anos, mesmo depois de esquecermos em que página a encontrámos. Gostava que os nossos alunos pudessem descobrir esse encontro. Preocupa-me que a leitura chegue tantas vezes às suas mãos já...

Da matemática à FQ ...

Estamos em outubro. Passou quase um mês desde o início das aulas. Há expectativas a ganhar luz, medos e ansiedades a ganhar forma, sonhos que começam a desenhar-se. E, pelo meio, uma preocupação que parece ocupar cada vez mais espaço: os resultados. Fala-se de testes, de médias, de exames. O exame surge tantas vezes como um “bicho-papão”, uma ameaça à espera no fim do percurso. Fala-se dos rankings das escolas e das notas de acesso ao ensino superior. Tudo isto tem consequências reais na vida dos alunos, e seria ingénuo desvalorizá-lo. Mas inquieta-me sentir que, no meio de tanta preocupação em medir, vamos deixando de fora da equação o seu termo mais importante: a aprendizagem. Sou engenheira química e lecionei Física e Química durante muitos anos. Talvez por isso me custe tanto olhar para os cadernos de alguns alunos e mal reconhecer, naquelas páginas, a disciplina que sempre me fascinou. Vejo conceitos apresentados em sequência, fórmulas copiadas, exercícios arrumados por tipo...

O que não cabe numa definição

Sou capaz de ser muito exigente com a resolução de um problema e, pouco depois, chamar os meus alunos à janela porque o sol se está a pôr. Não sinto que tenha mudado de personalidade no intervalo. Há lugar em mim para a necessidade de encontrar uma resposta e para o prazer de ficar a olhar para uma coisa que não precisa de ser resolvida. Ontem, por causa de um texto meu, a conversa foi ter às pessoas que somos quando estamos com pessoas diferentes. Mudamos de postura? Adaptamo-nos? Queremos ser aceites? E quem permanece igual, independentemente da companhia, será mais livre, mais verdadeiro, ou apenas menos capaz de se deixar tocar pelos outros? Há palavras que só nos ocorrem na presença de determinada pessoa. Há amigos com quem recuperamos um humor que julgávamos perdido, outros diante de quem conseguimos finalmente falar de um medo, e outros na presença de quem nos sentimos sempre pequenos. Talvez a dificuldade comece quando já não estamos a descobrir uma parte de n...