A medida de um abraço
Há ausências que se medem em dias e outras que não obedecem ao calendário. Um mês, por exemplo, não é muito tempo. Trinta dias. Quatro semanas. Uma pequena porção de vida, se pensarmos nos anos que já passaram e nos que, com alguma sorte, ainda teremos pela frente. Mas há pessoas cuja ausência altera a geografia dos lugares. De repente, há um lugar vazio, uma voz que deixou de atravessar os dias, uma gargalhada que não acontece onde deveria acontecer. E então um mês pode ser uma eternidade. Ela estava na Roménia, a fazer o seu estágio de verão, a viver aquela parte da vida que já não me pertence — e ainda bem. As mães passam muitos anos a ensinar os filhos a atravessar a rua e depois chega um momento estranho em que precisam de aprender a vê-los atravessar fronteiras sem nós. É esse, talvez, um dos paradoxos mais difíceis do amor: passamos a infância inteira dos nossos filhos a prepará-los para partir e, quando finalmente partem, descobrimos que não tínhamos prepara...