S. João
Hoje é dia de exame de Matemática. Acordei cedo, como se o meu corpo já soubesse antes de mim que não era uma manhã qualquer. Há dias que não começam quando abrimos os olhos. Começam antes. Na véspera. Nas mensagens que ficam por escrever. Nos conselhos que ainda queremos repetir. Nas dúvidas que imaginamos do outro lado. No coração que, mesmo sem caneta nem calculadora, também entra em exame. De manhã, há mensagens para mandar. Aquelas mensagens de última hora, feitas de coisas simples e enormes: respira, lê tudo com calma, começa pelo que sabes, não desistas à primeira dificuldade, confia no que trabalhaste. No fundo, são sempre os mesmos conselhos, mas há frases que precisam de ser repetidas porque, em certos dias, funcionam como amuletos. Depois há o último abraço virtual. Aquele antes de eles desaparecerem durante três horas. Três horas é o tempo oficial do exame. Mas para quem fica cá fora, a três metros de distância ou a muitos quilómetros, três horas...