É primavera do outro lado
Faltam dois dias para ir para o Brasil e ainda não fiz a mala. Tenho roupa por escolher, coisas por organizar e uma extraordinária capacidade de passar de uma divisão para outra sem me lembrar do que lá fui buscar. Os planos continuam por fazer. A ansiedade, em contrapartida, já tratou de tudo: chegou ao aeroporto, procurou a porta de embarque, contou as horas de voo e imaginou pequenas dificuldades para as quais ainda nem sequer existem palavras. Olho para mim e quase me rio. A mulher que vai atravessar o Atlântico para falar numa conferência anda pela casa à procura de uma tranquilidade que deve ter pousado em qualquer lado. Por fora, pareço-me bastante com uma pessoa capaz. E sou. Tenho aprendido, ao longo dos anos, a resolver problemas, a tomar decisões, a entrar em salas desconhecidas, a encontrar palavras quando alguém espera que eu diga alguma coisa. Essa parte de mim existe e merece a minha confiança. Mas há outra que, nestes dias, me puxa discretamente pela m...