O meu ano começa quando a vida recomeça
Ao contrário de muitas pessoas, o meu ano não começa em janeiro. Janeiro, para mim, é continuidade. É apenas a página seguinte de um livro que já vinha a ser escrito. Não há rutura, não há verdadeiro recomeço — há apenas um prolongamento do que já estava em curso. Nunca senti em janeiro esse impulso de começar de novo. Talvez porque o inverno ainda é tempo de recolhimento, de interior, de pausa. Um tempo necessário, mas não inaugural. O meu ano começa mais tarde. Começa quando a luz muda. Começa quando o frio deixa de ser dominante e a terra, silenciosamente, começa a preparar-se para renascer. Começa na primavera a sua preparação e acentua-se na Páscoa. É a Páscoa que marca, para mim, o verdadeiro início. Há qualquer coisa de profundamente simbólico — e talvez profundamente humano — nessa ideia de renascimento. Tal como a ressurreição nos fala de um tempo novo, também a Páscoa, na minha vida, é esse ponto de viragem invisível onde tudo recomeça, mesmo que nada, à primeira vista, ...