Somos nós
O meu amor tem 31 anos. Trinta e um anos não são uma medida de tempo — são uma geografia. Uma casa construída devagar, com as mãos cheias de mundo e o coração inteiro. O nosso amor nasceu pequeno e teimoso. Não teve aplausos, teve resistência. Houve quem duvidasse, quem inventasse sombras, quem soprasse intrigas como se o vento pudesse derrubar o que ainda mal tinha aprendido a ficar de pé. Mas o amor — quando é amor — aprende cedo a criar raízes profundas. E nós criámos raízes. Entre olhares cúmplices e silêncios que diziam tudo, fomos ficando. Pelo caminho, houve dias de contas apertadas e sonhos maiores do que a carteira. Aprendemos a fazer muito com pouco, a transformar escassez em engenho, medo em plano, incerteza em promessa. Descobrimos que a riqueza nunca esteve no que faltava, mas no que insistia em permanecer: nós. Amar-te foi, e é, um exercício de coragem. Não a coragem ruidosa dos heróis, mas a coragem quieta de quem escolhe ficar. Ficámos. Contra expectat...