Sobre o amor
A vida corre. Não anda, não passeia, não pede licença. Corre como quem sabe que o tempo é um animal inquieto. E eu corro com ela — às vezes ofegante, às vezes distraída, quase sempre feliz. Há dias em que acordo já atrasada para mim mesma. O café arrefece enquanto penso no que ainda não vivi. O amor, esse, não espera sentado: tropeça comigo nas escadas, manda mensagens sem pontuação, aparece quando estou cansada e diz “fica”. Fico. Mesmo quando não posso. Mesmo quando devia ir. Amar, aprendi, não é desacelerar o mundo. É aprender a respirar dentro dele. É aceitar que a felicidade não vem embalada em silêncios longos, mas em ruídos bons: risos fora de hora, discussões que acabam em abraço, a vida a bater à porta enquanto ainda estamos de pijama. Corremos porque queremos muito. Porque desejamos mais do que caberia numa vida parada. Corremos atrás de sonhos pequenos — um jantar improvisado, uma conversa que se prolonga, ...