Há dias ....
Há dias em que o mundo parece escrito a lápis. Sem cor definida, sem contornos firmes. Como se alguém tivesse passado uma borracha suave por cima de tudo — das vontades, dos planos, até das pequenas alegrias que costumam fazer barulho dentro de nós. Há dias em que acordo e não há nada de errado. E isso, curiosamente, também não ajuda. Está tudo no lugar. As pessoas continuam a ser quem são. O dia acontece como sempre acontece. Mas eu… eu não estou exatamente aqui. Ou estou, mas de forma mais leve, mais distante, como quem observa a própria vida através de um vidro ligeiramente embaciado. Há dias assim. Dias cinzentos, sem tempestade nem sol — apenas uma espécie de nevoeiro que se instala por dentro. Não acontece nada de errado, ninguém disse nada que magoe, nada correu particularmente mal… e, ainda assim, há qualquer coisa desalinhada. Um silêncio estranho. Uma falta de brilho difícil de explicar. São dias de sentimentos turvos, de energia baixa, de vontade pouca. Dias em q...