Quando a máscara cai
Há uma forma silenciosa de gostar de alguém: continuar a cuidar dessa pessoa quando ela não está presente. No modo como se fala dela, no respeito com que se guarda o que nos confiou, na delicadeza de não transformar as suas fragilidades em assunto de conversa. Dou muito valor a isso. Gosto de sentir que posso sair de uma sala sem que o afeto mude de voz assim que fecho a porta. Com o tempo, fui percebendo quanto me fazem falta pessoas junto de quem posso descansar. Pessoas cujas palavras têm morada nos gestos. Que sabem discordar de mim olhando-me nos olhos e que conservam, na minha ausência, o respeito que me mostram quando estamos juntas. Essa coerência dá-me uma tranquilidade difícil de explicar: permite-me estar numa relação sem ter de andar sempre a verificar se o chão continua lá. Vivemos tempos em que parece haver uma personagem adequada para cada ocasião. Escolhe-se a opinião que fica bem à mesa, o entusiasmo que aproxima das pessoas certas, a indignação que reúne ma...