Parentalidade positiva ou a delicada arte de não desistir de educar?
Há palavras que nascem boas e acabam gastas de tanto mau uso. “Parentalidade positiva” é uma delas. Em princípio, a ideia é luminosa: educar sem humilhar, corrigir sem esmagar, orientar sem ferir, escutar sem ridicularizar. Durante demasiado tempo confundiu-se autoridade com medo, disciplina com castigo e respeito com obediência muda. A parentalidade positiva veio lembrar-nos algo essencial: a criança é uma pessoa em desenvolvimento, não uma propriedade dos adultos; precisa de vínculo, segurança, linguagem, escuta, previsibilidade e cuidado. Até aqui, tudo bem. Aliás, tudo muito bem. O problema começa quando a parentalidade positiva deixa de ser uma ética do cuidado e passa a ser uma desculpa elegante para a desistência do adulto. Quando o “não quero traumatizar o meu filho” se transforma em “não consigo dizer não”. Quando validar emoções passa a significar aceitar todos os comportamentos. Quando escutar a criança se confunde com negociar tudo. Quando a criança deixa de ser...