viver com empatia ou prisioneiro da aparências?
Há pessoas que acordam todos os dias e, antes de abrirem a janela, vestem uma personagem. Não escolhem apenas a roupa, o gesto ou o tom de voz. Escolhem a pessoa que vão fingir ser. Ensaiam o sorriso diante do espelho, ajustam as palavras ao público que as espera e saem de casa como quem entra em cena. Talvez já nem sintam o peso do disfarce. Talvez o tenham usado durante tanto tempo que lhes pareça pele. Penso muitas vezes no cansaço que deve ser viver assim. Passar os dias a vigiar aquilo que se diz, não por delicadeza, mas por medo. Controlar cada reação, não por respeito, mas para proteger uma imagem. Inventar versões de si próprio para cada circunstância e, depois, ter de recordar o que mostrou a uns, o que ocultou de outros, o que prometeu ser em cada lugar. Uma vida inteira transformada numa sala cheia de espelhos, onde nenhuma imagem devolve um rosto verdadeiro. Deve chegar uma altura em que a pessoa já não sabe quem é quando ninguém está a olhar. Talvez esse seja o...