🌙 Porque é que pensamos demais (e quase sempre à noite)?
Existe uma hora secreta no dia. Não aparece nos relógios. Mas vocês sabem quando ela chega. E eu também sei. É aquela hora em que o quarto fica em silêncio, o telemóvel já não vibra tanto, as luzes se apagam — e a cabeça decide acender. Durante o dia vocês parecem seguras. Riem alto. Respondem rápido. Fazem planos como se o futuro fosse uma estrada já desenhada. E eu vejo isso. Mas também sei que, às 23h47, muitas de vocês se tornam investigadoras da própria vida. — Será que eu disse aquilo num tom estranho? — Porque é que ela respondeu só com “ok”? — E se toda a gente achar que eu sou demasiado? Ou insuficiente? Vou dizer-vos uma coisa com honestidade: essa voz não é exclusiva dos 16 ou 17 anos. Ela continua a aparecer mais tarde. Em mim também. A diferença é que, com o tempo, aprendemos a reconhecê-la. A noite tem este poder estranho: ela amplia pensamentos pequenos. De dia, um “ok” é só uma resposta rápida. À noite, é um possível afastamento emoc...