Londrina, às cinco da tarde
São cinco da tarde em Londrina e o céu fechou-se. Há pouco, o calor pousava nos ombros, entrava pela roupa, acompanhava cada passo. Agora troveja. As árvores agitam-se, o ar muda de cheiro e a chuva começa a cair. Fico a ouvi-la. Depois de um dia inteiro de vozes, de ruas, de descobertas, sabe-me bem este som que não me pede resposta. Estou no norte do Paraná, numa cidade que traz Londres no nome e a história do café entranhada na sua terra vermelha. Chamam-lhe a pequena Londres. Acho curioso ter atravessado o Atlântico para encontrar um nome que olha para a Europa, enquanto tudo à minha volta me convida a conhecer este lado do mundo: a luz, a vegetação, a maneira como o calor se demora na pele. Londrina tem um verde que participa na vida da cidade. Cresce entre os edifícios, acompanha as ruas, debruça-se sobre o movimento. Por vezes, levanto os olhos e as copas ocupam quase tudo. Debaixo delas, o passo abranda. Apetece ficar mais um bocadinho à sombra, olhar a forma de uma f...