Os filhos crescem para fora de nós
Este verão passou depressa demais. O mais estranho é que houve dias que me pareceram longos. Muito longos. Mas, quando dei por isso, o verão tinha acabado e eu ficara com a sensação de que me faltava um pedaço dele. Faltava-me um mês. O mês em que a minha filha esteve na Roménia. Eu sabia que era apenas um mês. Disse isso a mim própria várias vezes, com aquele tom sensato que usamos quando tentamos convencer o coração de alguma coisa que a cabeça já percebeu há muito. Um mês passa depressa. E passou. Mas foi um mês a menos da companhia dela. Um mês sem a sua presença nos meus dias, sem as conversas que surgem sem serem marcadas, sem aqueles pequenos momentos que parecem não ter importância até deixarem de acontecer. A ausência vive muito dessas coisas pequenas. Não é feita apenas da falta que alguém nos faz nas grandes ocasiões. É feita, sobretudo, da vontade de dizer qualquer coisa e perceber que a pessoa não está ali; de uma casa que continua igual, mas parece ter m...