Tenho o melhor colega do mundo
Há quem diga que trabalhar com quem se ama pode ser perigoso. Que a convivência excessiva desgasta. Que o mistério desaparece. Que o amor precisa de distância para respirar. Talvez seja verdade para algumas pessoas. Mas no nosso caso nunca foi assim. Há mais de vinte anos que trabalhamos lado a lado. Não exatamente na mesma sala — cada um tem o seu território, como duas pequenas ilhas ligadas por uma ponte invisível. Eu ensino Matemática. Ele vive entre a Física, a Química e a Geometria. As nossas salas ficam próximas. Às vezes, no meio de uma tarde cheia de equações, vetores ou reações químicas, um de nós aparece à porta da sala do outro. Não para nada importante. Apenas para perguntar, quase em voz baixa: — Está tudo bem? Às vezes é só isso. Outras vezes é uma piada rápida, um comentário engraçado sobre qualquer coisa, um sorriso cúmplice que dura alguns segundos. Depois cada um volta à sua sala, aos seus alunos, às suas explicações, às horas de trabalho que ...