O princípio do voo
Ontem foi a festa de final de ano do Colégio de São Miguel. Havia música, cor, palavras bonitas ditas com a voz um pouco tremida, sorrisos que tentavam ser inteiros e lágrimas que chegavam antes de serem chamadas. Havia aquela luz própria dos dias importantes: uma luz que não vem das lâmpadas, nem dos holofotes, nem sequer do palco. Vem dos olhos. Dos olhos de quem cresceu. Dos olhos de quem viu crescer. E eu vi-os ali. Alguns dos meus finalistas. Os meus meninos grandes. Aqueles que, durante anos, foram entrando pela porta com mochilas, dúvidas, pressas, medos, contas por resolver, fórmulas por decorar, testes à espreita e sonhos ainda meio escondidos dentro dos bolsos. Semana após semana, estivemos juntos na luta pela nota, pelo exame, pela média, pelo curso, pelo futuro. Mas, sem darmos por isso, estivemos também noutra luta maior: a de crescer. Eles cresceram. E eu, de alguma forma, também. Porque ensinar nunca é apenas explicar matéria. É aprender a ler silêncios. É pe...