Ainda não autorizo o fim do verão
Hoje choveu. Não uma chuva séria, dessas de novembro que chegam com credenciais, casaco vestido e intenções de ficar. Foi uma chuva de fim de agosto, ainda meio indecisa, como quem bate à porta e pergunta se já pode entrar. Eu disse que não. Porque esta chuva trazia qualquer coisa de suspeito. Um cheiro a terra molhada, uma frescura no ar, uma luz mais baixa. Um certo ar de outono a ensaiar a entrada em cena antes do tempo. E eu não estou preparada. Nem para o outono, nem para o fim do verão, nem — sobretudo — para aquilo que vem agarrado aos dois pelas costas: o início do ano letivo . Recuso-me. Ainda não houve verão suficiente para isto. Há qualquer coisa em mim que ainda precisa de sal no cabelo, areia nos pés e chinelos atirados para qualquer lado. Ainda preciso de fins de tarde que não tenham hora, de jantares que começam tarde porque ninguém reparou nas horas, de dias em que a pergunta mais urgente seja se vamos à praia de manhã ou depois do almo...