Começa o verão
Hoje começa o verão e há qualquer coisa de mágico nisso. Talvez seja a luz. Talvez seja esta forma estranha que junho tem de parecer uma porta entreaberta. Talvez seja o cansaço bom de quem atravessou muitos dias de chuva, muitos dias de quadro cheio, muitas horas de contas, vozes, perguntas, explicações, dúvidas, gargalhadas, chamadas de atenção, cafés bebidos depressa e sonhos empurrados com as duas mãos para a frente. Para muita gente, o ano acaba em dezembro. Para mim, não. Para mim, o verdadeiro fim do ano chega agora, quando o verão começa e o ano letivo se despede. O meu calendário interior nunca obedeceu muito aos calendários oficiais. Janeiro pode ter fogos de artifício, passas, champanhe e promessas escritas em guardanapos, mas é junho que me pede contas. É junho que se senta à minha frente, como quem sabe tudo, e me pergunta: então, o que fizeste da tua vida nestes seis meses? E eu respondo-lhe devagar. Fiz o que pude. Às vezes mais do que podia. Ensinei. Corrigi...