Dois aniversários e a mesa onde a vida se senta
Há fins de semana que parecem maiores do que os dias que os compõem. Começam numa sexta-feira qualquer, com sacos por preparar, mensagens por responder, presentes por embrulhar, e acabam por se transformar numa pequena geografia do afeto. Não uma geografia de mapas, estradas ou coordenadas, mas de mesas, abraços, cadeiras puxadas para mais perto, vozes sobrepostas e mãos que se estendem para oferecer qualquer coisa: um prato, uma lembrança, um cuidado, um lugar. Este fim de semana teve dois aniversários. Um deles era o meu. Digo isto com a estranha surpresa de quem ainda se espanta por continuar a fazer anos. Não porque não goste de os fazer. Gosto. Gosto muito. Mas há qualquer coisa nos aniversários que nos obriga a olhar para a vida de frente, sem demasiados disfarces. Fazemos anos e, de repente, o tempo deixa de ser uma abstração. Senta-se connosco à mesa. Serve-se de um copo de vinho. Prova o bolo. Ri-se das fotografias antigas. Conta-nos, ao ouvido, que estamos aqui há mais u...