Sobre o que é mais precioso
Há dias em que a saúde deixa de ser um dado invisível e passa a ocupar o centro da mesa, como um assunto que ninguém queria trazer, mas que já não pode ser ignorado. Chega devagar, às vezes, noutras irrompe sem aviso, e muda a linguagem dos nossos dias. De repente, aprendemos palavras novas, medimos o tempo em exames, em esperas, em chamadas que tardam. À minha volta, há quem viva nesse intervalo suspenso, onde tudo ainda pode ser ou não ser. Outros já atravessaram essa porta e carregam agora um nome que redefine rotinas, medos e esperanças. E há também quem vá perdendo, aos poucos, aquilo que julgava permanente, como se o corpo fosse um livro onde algumas páginas começam a desaparecer. E, no entanto, no meio dessa fragilidade, há uma espécie de delicadeza que emerge. Aproximamo-nos mais. Tornamo-nos mais atentos ao que é pequeno: uma mensagem enviada sem hora certa, um silêncio partilhado, uma mão que se segura por mais tempo do que o habitual. Abraçamo-nos como podemos, presencialm...