Dias sem fim
Há semanas que começam antes de termos acabado de respirar as anteriores. Esta começou assim: comigo ainda a tentar pousar o que trazia nas mãos, e a vida a entregar-me mais coisas. Os dias passam dentro da minha sala, entre números, perguntas, cadernos abertos. Ensino Matemática. Procuro maneiras de tornar compreensível aquilo que, ao princípio, parece impossível. Digo que vamos por partes, que podemos voltar atrás, que ninguém tem de perceber tudo à primeira. E, enquanto ofereço aos outros esse tempo, vou fazendo contas ao pouco tempo que me concedo a mim. Há qualquer coisa de profundamente humano em saber ser paciente com quem aprende, mas ao mesmo tempo, há algo de profundamente triste quando sou tão impaciente comigo. Entre uma explicação e outra, penso no que ficou por fazer. O trabalho de casa começa muito antes de eu chegar a casa: acompanha-me durante as aulas, senta-se ao fundo da sala, levanta o braço quando tento pensar noutra coisa. Há sempre uma tarefa à esp...