A mesa onde a família aumentou
Começar uma família nova, ou acrescentar pessoas à família, tem qualquer coisa de milagre discreto. Não acontece sempre com certidões, apelidos, documentos ou árvores genealógicas. Às vezes acontece num domingo. Numa mesa comprida. Num aniversário. Num abraço que se abre sem fazer perguntas. Num lugar posto para nós como se já estivesse à nossa espera há muito tempo. Este domingo foi assim. A Cristina fez anos. E, de repente, a Cristina deixou de ser apenas a mãe do Rafael. Passou a ser a minha comadre. Palavra antiga, bonita, cheia de casa por dentro. Comadre. Uma palavra que não se limita a nomear uma relação; parece antes acrescentar uma divisão nova à vida, uma sala com luz, uma cadeira onde nos podemos sentar, uma pertença que não sabíamos que nos fazia falta até alguém nos oferecer. E a Cristina ofereceu-me isso. Abriu os braços. Acolheu-me. Acolheu os meus. Juntou-nos todos à mesa. Fez do seu aniversário não apenas uma festa sua, mas também um lugar de enco...