Reciprocidade
Pergunto: “Está tudo bem?” E espero. Não pela resposta longa. Apenas por aquele pequeno gesto que confirma que existe do outro lado — “E contigo?” Mas o eco raramente vem. Ou vem de raras pessoas. Há algo de subtil na falta de reciprocidade. Não é violência. Não é ruptura. É um vazio pequeno, repetido. Um esquecimento em datas importantes. Um silêncio quando era preciso presença. Um entusiasmo morno quando partilhamos uma alegria. Uma distração quando falamos de algo que dói. Vivemos tempos ásperos. Cada um centrado na sua agenda, na sua carreira, nas suas metas, nas relações que rendem alguma vantagem futura. Diz-se “tenho muitos amigos” como quem enumera contactos úteis. Mas amizade não é rede. É raiz. E raiz exige tempo. Exige entrega. Exige um tipo de atenção que não se mede em produtividade. Há quem saiba receber, mas não saiba dar. Há quem goste de ser escutado, mas não aprendeu a escutar. Há quem procure colo, mas não ofereça ombro. E então surge a pergunta que ninguém g...