Setembro chega sempre com duas mãos
Setembro entrou pela casa sem bater. Não trouxe ainda o outono inteiro. Trouxe apenas uma luz mais baixa a pousar nas paredes, um sopro de ar fresco pela janela e aquela sensação quase impercetível de que alguma coisa está prestes a mudar. Há anos em que o verão parece esquecer-se de acabar. Demora-se nos dias, aquece excessivamente as casas e torna o ar pesado, como se o próprio tempo precisasse de se sentar um pouco para recuperar o fôlego. Depois chega setembro e alguém parece carregar num interruptor invisível. O calor não desaparece de repente, mas perde arrogância. As manhãs ficam mais frescas, as noites chegam mais cedo e respirar volta a ser uma coisa simples. Setembro é uma ponte. De um lado, permanece o verão, ainda agarrado às mangas curtas, às janelas abertas e à vontade de ficar lá fora até tarde. Do outro, aproxima-se o outono, com a sua luz dourada, os seus silêncios e a promessa de recolhimento. Talvez por isso setembro seja um mês tão bonito: porque não nos...