Chegou ao fim …
A minha viagem chegou ao fim. Mas Londres não terminou hoje. Apenas fechou os olhos, como quem descansa depois de nos ter acolhido com a generosidade rara das cidades que sabem ser casa sem nos pertencerem. Partimos com sol. Céu azul, como se a cidade quisesse contrariar a sua própria fama e dizer-nos, em silêncio, que também ela sabe ser leve quando se despede. Chegámos assim. Partimos assim. Como se o tempo, por uns dias, tivesse decidido ser gentil. Mas o que realmente termina — ou talvez não — é esta espécie de regresso que fizemos a nós mesmas. Há amizades que resistem. A nossa não só resistiu — expandiu-se. Como uma cidade invisível que foi crescendo dentro do tempo, atravessando anos, silêncios, distâncias e as pequenas separações que a vida vai desenhando sem pedir licença. E, ainda assim, intacta. Ou melhor: mais inteira. Durante estes dias, voltámos aos dezassete anos. Não porque o tempo tenha recuado, mas porque nunca saiu verdadeiramente de nós. Há coisas que não envelhecem...