Regressar à cidade onde a neve sabe o meu nome
Há fins de semana que ficam Há lugares que não são apenas lugares. São uma espécie de gaveta antiga dentro do peito, onde guardamos cheiros, vozes, ruas inclinadas, frio nas mãos e uma versão de nós que nunca deixou verdadeiramente de existir. Este fim de semana voltei à minha cidade-neve. À minha Beira Interior. À minha serra. A esse lugar onde o ar parece mais limpo, mais antigo, mais inteiro. Talvez porque ali o frio não é só temperatura; é memória. Entra-nos no corpo como quem diz: ainda te lembras de mim? E eu lembro. Lembro-me da comida que ali sabe como em nenhum outro lado. Há sabores que não se repetem fora da terra onde nasceram. Podemos usar os mesmos ingredientes, seguir as mesmas receitas, aquecer o mesmo pão. Mas falta sempre qualquer coisa. Talvez falte a altitude. Talvez falte a infância. Talvez falte a mão invisível da serra a temperar tudo com pertença. Voltar a casa é isto: sentarmo-nos à mesa e percebermos que há alimentos que não alimentam ap...