🌊 Não sou a mesma — e ainda bem
Há um momento estranho na vida em que nos olhamos ao espelho — não ao espelho da casa de banho, mas ao espelho das escolhas, das reações, das prioridades — e pensamos: “Eu já não sou assim.” E essa constatação pode assustar. Porque crescemos a ouvir que devemos ser coerentes, fiéis a quem somos, consistentes. Como se mudar fosse uma forma subtil de traição. Como se evoluir significasse abandonar versões anteriores que também foram verdadeiras. Mas talvez a pergunta esteja errada. Mudar não é trair quem fomos. É honrar o caminho que fizemos. A mulher que foste há cinco anos fez o melhor que sabia com a consciência que tinha. A que foste há dois anos tomou decisões com as ferramentas emocionais que possuía. A que foste ontem sentiu o que conseguiu sentir. Nenhuma dessas versões merece julgamento. Merecem reconhecimento. Há fases em que tolerámos o que hoje já não toleramos. Relações que aceitámos porque ainda não sabíamos impor limites. Silêncios que mantivemos porque ain...