Sábado
O sábado começou cedo, ainda com a luz tímida da manhã a esticar-se pelas janelas. Às 9h já havia matemática no ar — números espalhados pela mesa, cadernos abertos, lápis inquietos. Mas havia também gargalhadas, dessas que nascem quando alguém finalmente percebe um problema ou quando uma resposta improvável faz todos parar para rir. Entre dúvidas e perguntas, entre afirmações corajosas e algumas certezas recém-descobertas, o tempo foi passando com aquela serenidade própria das manhãs dedicadas a aprender. Os grupos iam chegando e partindo, como pequenas marés: alunos de 10º, de 9º, de 11º… e também do 5º e 6º. Gente pequenina e gente grande, todos com o mesmo brilho nos olhos — esse desejo antigo e universal de compreender o mundo um pouco melhor. Porque aprender é também isto: construir devagarinho aquilo que ainda não sabemos que somos. A tarde caiu sem fazer barulho, como costumam cair as coisas boas. E com ela chegou o caminho para norte. Havia um encontro marcado com os meus fi...