A vida não fica à espera
Passamos uma parte absurda da vida à espera. Esperamos pelo fim de semana, pelas férias, por uma resposta, por uma oportunidade, por uma notícia boa. Esperamos que a dor passe, que o medo diminua, que alguém regresse, que uma porta se abra. Esperamos ter mais tempo, mais coragem, menos cansaço ou uma versão de nós próprios que finalmente saiba o que está a fazer. Como se essa pessoa existisse. Como se, algures no futuro, houvesse uma versão adulta de nós, serena e organizada, que não perdesse as chaves, não respondesse impulsivamente, não tivesse medo e soubesse sempre qual era a decisão certa. Tenho más notícias: essa pessoa também deve andar à nossa procura. Há alturas em que a vida parece transformar-se numa enorme sala de espera. Sentamo-nos com os nossos pensamentos, folheamos preocupações antigas e olhamos constantemente para uma porta que teima em não se abrir. Será hoje? Chegará finalmente a resposta? Vai correr bem? Os filhos estarão felizes? Terão escolh...