Obrigada G.
Este verão tem-me ensinado que há pessoas que chegam tarde à nossa vida e, ainda assim, chegam exatamente a tempo. Durante muito tempo, pensei que as amizades verdadeiras eram aquelas que traziam consigo uma infância inteira. As que conheciam os nossos joelhos esfolados, os amores impossíveis, os erros de juventude, as casas onde vivemos e as versões antigas de nós que já ninguém reconhece. E são, claro. Há amizades da vida inteira que são uma espécie de pátria. Pessoas junto das quais não precisamos de explicar de onde vimos, porque caminharam connosco durante uma parte considerável do caminho. Guardam pedaços da nossa memória que já nem nós saberíamos encontrar sozinhas. Mas estou a descobrir que também existem as amizades que começam agora. Não têm fotografias antigas, segredos de adolescência ou histórias repetidas tantas vezes que já ninguém sabe ao certo se aconteceram daquela maneira. Não assistiram às nossas primeiras quedas nem conhecem todos os nomes que deixámos para...