Dez de Junho, Camões e as contas que ainda faltam fazer
Hoje é Dez de Junho. Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Dia de hastear a bandeira, de lembrar a língua, o mar, os versos, as partidas, os regressos e essa estranha capacidade portuguesa de atravessar tempestades com uma mão no leme e a outra a dizer: “isto amanhã resolve-se”. É feriado. Portanto, naturalmente, estou a trabalhar. Porque há patriotismos muito bonitos, com cravos, hinos e discursos solenes, e depois há o patriotismo silencioso de quem abre o computador num feriado, corrige exercícios, prepara exames, responde a mensagens e tenta convencer adolescentes de que uma função afim não é uma entidade maligna enviada para lhes destruir a juventude. Camões escreveu sobre mares nunca dantes navegados. Eu, hoje, navego em mares nunca dantes simplificados: equações, derivadas, probabilidades, limites, gráficos, dúvidas de última hora e alunos que, dois dias antes do exame, descobrem subitamente que a Matemática existe. Camões tinha...