Quero ser uma janela
O meu pai pediu-me muitas vezes que estudasse sempre. Não era um pedido com solenidade. Era daqueles conselhos que os pais deixam cair na vida dos filhos como quem planta uma árvore e espera que, um dia, ela dê sombra. Estuda. Nunca pares de estudar. Aprende. Aprende sempre. Porque aquilo que aprendes, aquilo que constróis por ti, aquilo que fazes crescer dentro de ti, ninguém te tira. E talvez esta tenha sido uma das maiores heranças que ele me deixou. Não uma herança guardada em gavetas, contas ou papéis. Uma herança mais funda. A certeza de que o conhecimento é uma forma de liberdade. Uma espécie de casa interior. Podemos perder coisas, lugares, pessoas, certezas, forças, juventude, tempo. Mas aquilo que aprendemos verdadeiramente fica connosco. Passa a fazer parte da forma como olhamos o mundo, como pensamos, como escolhemos, como nos levantamos depois das quedas. Estudar depois dos 50 tem uma beleza estranha. Talvez porque já não se estuda apenas para chegar a ...