Dia 4 - As coisas que deixamos gravadas
Acordamos em Bragança com mais um dia inteiro diante de nós e a sensação de que as férias já adquiriram uma vida própria. Ao quarto dia, as malas deixam de ser verdadeiramente desfeitas. Abrem-se apenas o suficiente para encontrarmos aquilo de que precisamos e voltam a fechar-se com a desarrumação resignada de quem sabe que, dentro de poucas horas, estará novamente noutro lugar. Talvez viajar seja também aprender a viver com menos ordem. Em casa, cada coisa tem o seu lugar. Na estrada, o lugar das coisas muda todos os dias: os casacos instalam-se no banco de trás, as garrafas de água aos nossos pés, os mapas misturam-se com recibos e as lembranças começam a ocupar o espaço anteriormente reservado à roupa. Ao quarto dia, o carro já não é apenas um meio de transporte. É uma pequena casa desarrumada com rodas. Partimos em direção a Podence. O pai e o filho voltam a repartir a condução, mas a troca já se faz com naturalidade, quase sem palavras. Um estaciona, o outro assume o volant...