Ruído do Nosso Tempo
Há uma estranha solidão no meio do ruído do nosso tempo. Nunca falámos tanto, nunca escrevemos tanto, nunca opinámos tanto — e, ainda assim, escutamos cada vez menos. Como se ouvir verdadeiramente o outro se tivesse tornado um gesto quase subversivo, um ato raro, quase incómodo, num mundo que privilegia a rapidez da resposta em vez da profundidade da presença. Vivemos cercados de vozes, mas carentes de escuta. E talvez o problema não seja apenas a falta de empatia, mas a incapacidade de nos demorarmos no sofrimento alheio sem o traduzirmos imediatamente para nós mesmos. O outro fala, e nós já estamos a pensar na nossa história, na nossa dor, na nossa versão, na nossa verdade. Como se toda a conversa fosse um espelho e não uma janela. Há uma rigidez que se instalou nas relações humanas. Uma espécie de endurecimento invisível. Defendemos ideias como se fossem trincheiras, identidades como se fossem armaduras, opiniões como se fossem territórios invioláveis. E, nesse pr...