Dia 3 - As estradas pequenas não aceitam pressa
Acordamos em Puebla de Sanabria com a sensação de que a viagem e nós começamos finalmente a encontrar o nosso próprio ritmo. Já não existe a inquietação dos primeiros quilómetros nem aquela necessidade de confirmar o mapa a cada cinco minutos, como se as estradas pudessem mudar de lugar durante a noite. Aos poucos, deixamos de ser pessoas empenhadas em chegar a algum sítio e passamos a ser apenas pessoas a caminho. Talvez as férias comecem verdadeiramente nesse momento: quando deixamos de perguntar quanto falta e começamos a reparar no que existe à nossa volta. Arrumamos novamente as malas, fechamos a porta do quarto e regressamos ao carro. A roupa, que no primeiro dia cabia perfeitamente, começa já a desenvolver uma existência própria e a ocupar mais espaço. As malas de viagem obedecem a uma lei da física ainda pouco estudada: quanto mais avançam as férias, menor é a probabilidade de fecharem do mesmo modo. O pai e o filho voltam a dividir a condução. Há entre os dois uma esp...