Os vossos sonhos são os meus
Às 8h20 chego ao café da minha rua. O café vem primeiro. Combustível. Pequeno ritual de sobrevivência antes de começar o dia. Há quem precise de silêncio, há quem precise de meditação, há quem precise de correr dez quilómetros. Eu preciso daquele café, naquele balcão, àquela hora, antes de entrar na minha sala e começar mais uma travessia. Às 8h30 entro. A sala ainda está quase intacta. As mesas alinhadas, os cadernos à espera, o quadro limpo, como se o dia ainda não tivesse decidido que forma vai ter. Mas eu sei. Vai ter a forma deles. Encontro o primeiro grupo. Chegam com sono, com pressa, com dúvidas, com mochilas pesadas e aquela expressão de quem traz dentro da cabeça uma guerra silenciosa entre o medo e a esperança. Começam as primeiras perguntas, os primeiros enganos, os primeiros acertos. E, felizmente, as primeiras gargalhadas. Porque uma sala onde se aprende sem rir é uma sala onde qualquer coisa ficou por ensinar. Depois vêm outros. Um grupo a ...