Segunda-feira, esse início dos inícios
É segunda-feira outra vez. Não sei bem como. Ainda agora era sexta, ou talvez sábado, ou talvez aquele "domingo-semana" que inventei para mim, porque trabalho ao sábado e o descanso, quando chega, já vem cansado. Há fins de semana que não são fins de semana. São intervalos. Pequenos parênteses entre duas urgências. Piscamos os olhos e já passaram. Este passou a voar. Mal estive com os meus filhos com tempo. Tempo verdadeiro, quero dizer. Daquele que não tem relógio a tossir no pulso, nem roupa por estender, nem mensagens por responder, nem a cabeça a fazer listas enquanto o corpo finge estar presente. Estive, sim. Mas queria ter estado mais. Queria ter tido uma tarde inteira para os ouvir respirar a vida deles, contar as novidades, rir das coisas pequenas, perguntar sem pressa, ficar sentada na cozinha como se o mundo pudesse esperar lá fora com educação. A vida tem destas crueldades discretas: dá-nos pessoas-casa e depois rouba-nos as tardes para as habitar...