A sala mais bonita e feliz da cidade
São 21h30 quando o dia começa a terminar. Ainda há explicações. Ainda há vozes. Ainda há cadernos abertos, contas por acabar, dúvidas que resistem, lápis cansados e aquela estranha energia que aparece quando todos devíamos estar mais quietos, mas ainda há um objetivo à nossa frente. Hoje foi dia cheio. Sala cheia. Alunos que entram. Alunos que saem. Outros que chegaram de manhã e ficaram quase como quem se muda temporariamente para dentro de uma possibilidade. Há quem diga: “Aqui estudo mais focado.” E eu sorrio, porque sei que é verdade. Aqui há foco. Há método. Há trabalho. Há uma espécie de pacto silencioso entre eles e eu: ninguém se abandona. Aqui até pode haver preguiça, claro. Somos todos humanos. Mas, se há, disfarçam melhor, porque eu ando por perto. E quando a preguiça tenta sentar-se à mesa, eu empurro-a para o lado e digo: “Vamos. Sempre em frente, meninos.” Há dias em que ensinar é isto: empurrar sem magoar. Puxar sem parti...