Não sei
O que me move é a perplexidade, a inquietação, a dúvida. Nunca foram as respostas que me fizeram avançar. Foram as perguntas. As respostas, quando chegam, têm qualquer coisa de cadeira: convidam-nos a sentar. As perguntas, pelo contrário, são portas entreabertas. Obrigam-nos a espreitar, a atravessar, a procurar o que existe do outro lado. Talvez por isso eu nunca tenha sabido viver muito tempo em lugares fechados. Preciso de compreender. De voltar atrás. De olhar novamente para aquilo que todos dizem ser evidente e perguntar: será mesmo assim? Não por desconfiança do mundo, mas por espanto. Há em mim uma criança que ainda abre gavetas proibidas, desmonta os brinquedos (e os electrodomésticos) só para descobrir como funcionam por dentro e uma criança que acredita que cada resposta esconde uma pergunta mais profunda. A perplexidade é o princípio de quase tudo. É ela que nos detém diante do que julgávamos conhecer e nos obriga a olhar outra vez. É o instante em que o mundo de...