Como vive uma professora de matemática com PHDA?
A primeira coisa que é preciso saber sobre viver com PHDA é que o meu cérebro não acorda devagar. Ele desperta como um mercado às sete da manhã. Ainda antes do café, já passaram pela minha cabeça: o teste de matemática que os meus alunos vão fazer, a tese que estou a escrever, as aulas da tarde que quero tornar mais interessantes, uma ideia nova para explicar funções de outra maneira, a lista de compras, uma memória antiga e a pergunta existencial de onde está o telemóvel. Viver com PHDA é um pouco isto: um cérebro que acorda antes de nós. Sou professora de matemática. Sou mãe. Sou investigadora. Sou estudante. E tenho PHDA. Descobri tarde, como acontece com muitas mulheres. Durante anos pensei apenas que era uma pessoa muito curiosa, muito entusiasmada, um pouco desorganizada e com uma capacidade suspeita para fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Agora sei que o meu cérebro funciona como um computador com demasiadas janelas abertas. O problema não é a falta de ideias. É escolher qua...