Sol e pés descalços
O verão não chega de repente. Vai-se insinuando. Primeiro na luz que demora mais a ir embora, depois no calor que já não pede licença, e, quando damos por isso, já estamos diferentes — mais soltos, mais leves, quase como se alguém tivesse desapertado um botão invisível dentro de nós. A casa enche-se de filhos. De mochilas largadas a um canto, de toalhas húmidas, de gargalhadas que ecoam pelos corredores. Há barulho, há desarrumação, há vida. E, curiosamente, é nesse caos meio feliz que tudo faz mais sentido. As tardes são de praia. De pés descalços, de corridas até à água, de sal na pele e cabelo desalinhado. Há uma liberdade que só o verão sabe dar — como se, por uns meses, ninguém estivesse a avaliar, a medir, a exigir. Somos só nós, inteiros, com o sol a aquecer por fora e uma espécie de luz a acender por dentro. Ao fim do dia, chegam os petiscos. As conversas sem plano. Os amigos que aparecem e ficam. Fala-se de tudo e de nada, ri-se alto, inventam-se histórias ou repetem-se as m...