Manifesto para um ano que ainda não sabe do que somos capazes
Há um instante estranho no início de cada ano letivo em que tudo parece ainda possível. Os cadernos não têm erros, as canetas conservam as tampas, os horários ainda não foram amarrotados no fundo das mochilas e há uma espécie de confiança com cheiro a papel novo. Fazemos planos. Estabelecemos metas. Compramos marcadores de várias cores, convencidos de que a organização cromática resolverá grande parte dos nossos problemas. Durante alguns dias, acreditamos sinceramente que nunca deixaremos matéria acumular, que estudaremos sempre com antecedência e que nenhum trabalho será iniciado na véspera da entrega. É uma fase bonita. Na nossa Academia, a Emília também começa o ano cheia de boas intenções. Tenciona dormir mais, ocupar um maior número de cadeiras e aperfeiçoar a técnica de se deitar precisamente sobre a folha de que alguém precisa. Cada um estabelece as metas que estão ao alcance das suas patas. Mas este texto não é sobre a Emília. Pelo menos, não inteiramente. É sobre ...