31 anos depois...
Há trinta e um anos, o mundo ainda não tinha um lugar para nós: Tivemos de o abrir. Não nos deram uma estrada, um mapa ou uma porta por onde pudéssemos entrar juntos. Havia dúvidas, avisos, juízos e pessoas demasiado certas de que sabiam como terminaria a nossa história. Olhavam para nós como quem olha para uma casa construída perto do mar e prevê a tempestade antes mesmo de ela chegar. Acreditavam que não duraríamos. Talvez porque fôssemos demasiado diferentes. Talvez porque fôssemos demasiado jovens. Talvez nos amássemos com uma intensidade que os outros confundiam com imprudência. Talvez ninguém compreendesse que há encontros que não pedem autorização à razão nem respeitam a ordem em que a vida deveria acontecer. Nós também não sabíamos se conseguiríamos. Mas sabíamos que queríamos. E há uma diferença enorme entre acreditar que tudo será fácil e decidir que, mesmo quando não for, continuaremos a tentar. Tivemos de desbravar o mundo para cabermos nele. Avançámos por ...