Quartas-feiras
Comecei às oito e meia, sem grande cerimónia, e mergulhei de cabeça em quatro horas seguidas com o décimo segundo ano. Dar duro é a expressão certa: concentração cerrada, raciocínios longos, silêncio atento misturado com perguntas que chegam quando o pensamento tropeça. Há dias em que o tempo se mede assim — em exercícios resolvidos, em olhares que finalmente entendem, em pausas que não chegam a ser pausas. Almocei no lugar do costume das quartas-feiras. Rápido, como sempre, porque só há uma hora e ela passa depressa demais quando ainda se está dentro do dia. O prato veio, foi-se, e ficou a sensação de que comer é apenas um intervalo entre dois blocos de vida. A tarde começou com os mais novos. E há qualquer coisa de diferente em ensinar os mais pequenos, algo que não se explica bem, mas se sente logo à entrada. Dão abraços quentinhos, desses que não pedem autorização, sorriem felizes por me verem e contam o dia como se fosse uma história urgente. As novidades das férias chegam che...