A vida tem os nomes de quem chega
Às sete da manhã, ainda o dia está a abrir os olhos e já eu lhe ando a arrumar as gavetas. Faço listas mentais, distribuo tarefas, tento encontrar lugar para tudo o que precisa de caber nas horas seguintes. A minha cabeça chega quase sempre primeiro que eu aos sítios. Quando finalmente me levanto, já ela abriu a sala, respondeu a perguntas e se esqueceu de alguma coisa que, naturalmente, só há de recordar quando eu estiver ocupada com outra. Depois, há o café. O de sempre, no lugar do costume. Gosto desta pequena certeza antes de começar a negociar com os imprevistos. E gosto, sobretudo, de encontrar a minha tribo: as amigas que fui acrescentando aos meus dias e que, com a generosidade de quem chega uma cadeira para o lado, me deram lugar nas suas vidas. Fomos ficando. Entre cafés, conversas e manhãs mais ou menos apressadas, fomos aprendendo a contar umas com as outras. Agora, quando falta uma, dou por isso e sinto-lhe a falta. O lugar vazio faz perguntas: estará bem? Te...