O sol do lado de dentro
Há sábados que começam às oito da manhã e só pousam o lápis às oito da noite. Pelo meio, cabem muitos alunos, muitas horas de Matemática, vários níveis de ensino e uma quantidade de dúvidas que, se fosse possível arrumar em caixas, exigiria uma sala maior. Este foi um desses sábados. Longo, cheio, diverso. E vivido com a mesma alegria e o mesmo entusiasmo em cada hora dada. Lá fora, o sol brilhou. Cá dentro, também. Há uma luz muito particular naquele instante em que um aluno levanta os olhos do caderno e diz: «Ahhh… agora faz sentido!» Gosto de assistir a esse momento. A expressão muda, os ombros descontraem-se, o lápis regressa ao papel com outra vontade. Uma coisa que parecia impossível começa a ganhar contornos. E, por alguns segundos, até uma equação pode iluminar uma sala. Ensinar é ter o privilégio de acompanhar estas pequenas mudanças. Perceber onde se perdeu o fio, recuar o necessário, escolher outro exemplo, experimentar outra pergunta. Há quem precise de ...