O hall de entrada
Há pessoas que entram na nossa vida como quem toca à campainha com delicadeza. Não insistem. Não batem com força. Não espreitam pelas janelas, nem tentam adivinhar o que guardamos atrás das cortinas. Ficam apenas ali, do lado de fora, com a paciência tranquila de quem sabe que certas portas não se abrem por pressão. Abrem-se quando se sentem seguras. Eu sempre fui uma casa difícil de visitar. Não porque não goste de pessoas. Gosto muito de pessoas. Talvez até goste demasiado. E talvez seja precisamente por isso que aprendi a proteger-me delas. Sou perita em esquivar-me. Em inventar compromissos quando o verdadeiro compromisso é ficar em casa. Em trocar uma sala cheia de gente pelo silêncio do meu sofá, uma conversa aos gritos pelo som discreto dos meus pensamentos. Sou ligeiramente tímida, bastante introvertida e profundamente fiel à minha concha. Há dias em que o meu mundo interior me chega. Há dias em que até me sobra. Fujo de grandes aglomerados, de confusões,...