Vivemos numa época de contradições
Vivemos numa época de contradições. Dizemos que queremos jovens livres, autónomos, curiosos, capazes de pensar pela própria cabeça. Queremos que não vivam demasiado dependentes das tecnologias, mas, muitas vezes, não lhes damos em casa exemplos de leitura. Há ecrãs ligados, telemóveis sempre à mão, notificações a interromper conversas, mas poucos momentos em que uma criança veja um adulto sentado, tranquilamente, a ler. Depois estranhamos que não leiam. Estranhamos que não tenham paciência para livros, que fujam de textos longos, que prefiram vídeos curtos, respostas rápidas, estímulos imediatos. Mas quando fazem anos, ou chega o Natal, contam-se pelos dedos das mãos os que recebem um livro. Oferecemos tecnologia, roupa, dinheiro, acessórios, experiências, mas raramente oferecemos esse objeto simples e revolucionário que ensina uma das coisas mais difíceis: estar quieto por dentro. Também dizemos que os jovens vivem ocupados, cansados, ansiosos, sem tempo para si. E ...