É tempo de colher
Apesar de ser neta de pessoas ligadas à agricultura nunca tinha vindimado. Há coisas que chegam tarde à nossa vida e, talvez por isso mesmo, chegam na altura certa. A vindima foi uma delas. Fui sem saber muito bem o que fazer com as mãos, para além de provavelmente atrapalhar quem sabia. Aprendi que há uma maneira certa de pegar nos cachos, de escolher o que se corta, de respeitar a videira. E descobri que há trabalhos que se aprendem melhor quando se fazem acompanhados. Porque, no fundo, vindimar é uma espécie de metáfora da vida. Passamos anos a plantar. Algumas coisas crescem, outras não. Há sementes que esquecemos e que, um dia, aparecem em lugares onde não esperávamos. Há pessoas que chegam devagar, quase sem darmos por isso, e acabam por criar raízes. E depois há a família. Não apenas aquela que nos calhou à nascença, mas aquela que a vida nos oferece pelo caminho. A que acrescentamos sem pedir licença ao coração. Pessoas que um dia eram apenas pessoas e q...