Há sempre alguém a dizer “aproveita para descansar”.
Há sempre alguém a dizer “aproveita para descansar”. Dizem-no com doçura, com boa intenção, com uma leveza quase terapêutica, como se descansar fosse uma atividade simples, acessível e imediatamente disponível, à semelhança de beber um copo de água ou abrir uma janela. “Agora nas férias, aproveita para descansar.” “Durante a pausa, vê se desligas.” “No fim de semana, não faças nada.” Não faças nada. Esta frase, para certas pessoas, soa a conselho. Para outras, soa a ficção científica. Eu gosto muito da ideia de descansar. Acho-a nobre. Civilizada. Quase poética. Gosto da imagem mental de mim própria serena, desacelerada, com tempo, sol, silêncio e talvez um chá bonito numa chávena igualmente bonita. O problema é que, entre essa imagem e a realidade, costuma haver roupa para tratar, coisas para organizar, mensagens para responder, aulas para preparar, listas para rever, ideias que aparecem fora de horas e uma certa dificuldade estrutural em convencer o cérebro...