A arte de encaixar o impossível
Olho para os horários da Academia com a esperança de quem olha para uma mala cheia e ainda tem metade da roupa em cima da cama. Há de caber, penso. Se rodar isto, apertar aquilo, passar este para terça e puxar aquele para quinta… Não cabe. Considero-me uma boa jogadora de Tetris. Tenho alguma habilidade para descobrir espaços onde, à primeira vista, só existe uma parede. Mas este jogo está a pôr a minha reputação em causa. As peças têm escola, futebol, andebol, natação, inglês, dança e ginástica acrobática. E quase todas precisam de cair no mesmo quadradinho, entre as dezassete e as dezanove. Recebo horários esculpidos ao milímetro, com a precisão de uma peça de relojoaria. Às quatro acaba a escola, às cinco começa o treino, pelo meio há uma deslocação que já pressupõe uma relação bastante otimista com o trânsito. Procuro uma abertura. Uma nesga. Qualquer coisa por onde consiga fazer entrar a Matemática sem deixar a Físico-Química entalada na porta. A ginástica acro...