🐾 A Emília não estuda — e talvez esteja certa A Emília nunca abriu um livro. Nunca fez um resumo. Nunca sublinhou uma linha. E, ainda assim, domina a arte mais difícil de todas: estar. Enquanto nós corremos atrás de prazos, listas de tarefas e objetivos por cumprir, ela escolhe um casaco esquecido, uma mochila abandonada, e dorme como se o mundo estivesse resolvido. Talvez não esteja. Mas talvez também não precise de estar já. A Emília não tem pressa. Não se compara. Não sente culpa por parar. E isso, num mundo como o nosso, é quase revolucionário. Na academia, tornou-se um pouco de todos. Pede colo aos alunos com uma naturalidade desconcertante, instala-se sem pedir licença e fica — como se soubesse exatamente quando alguém precisa de abrandar. Há dias em que interrompe o estudo. Deita-se em cima de cadernos, ocupa teclados, escolhe exatamente o espaço onde alguém ia começar a trabalhar. Se fosse avaliada, seria provavelmente a pior aluna da turma. Na matemáti...