Sobre duas rosas
A Rosa de Jericó e a aluna que viu uma metáfora Tenho uma Rosa de Jericó. Foi-me oferecida por uma amiga, dessas pessoas que nos deixam nas mãos pequenos objetos e, sem saberem, entregam também uma história. Há presentes assim: parecem coisas, mas são perguntas. Uma planta dentro de uma taça, uma água que começa a ficar verde, uma raiz antiga à espera de ser compreendida. A Rosa de Jericó não é bem uma rosa. Talvez por isso seja tão verdadeira. Há seres que não precisam de corresponder ao nome para cumprirem o seu destino. Esta chama-se rosa sem o ser, vive sem parecer viva, seca sem morrer, fecha-se sem desistir. Fica cinzenta, encolhida, quase mineral, como se tivesse decidido transformar-se em pedra para sobreviver ao excesso de mundo. Depois, basta água. Não muita. Não milagrosa. Não solene. Apenas água. E ela começa a abrir-se devagar, como quem regressa de muito longe. Primeiro, uma hesitação. Depois, uma dobra. Depois, uma folha que se lembra ...