“No meio do inverno, descobri finalmente que havia em mim um verão invencível."
O sol chegou sem bater à porta, como fazem as boas notícias. Entrou pelas frestas das persianas, pousou nas secretárias, demorou-se nos cadernos ainda abertos da véspera. E, de repente, a casa — e a escola, e nós — deixámos de ser inverno. Andávamos precisados de sol. Precisados como quem precisa de uma palavra boa dita na hora certa. Precisados como quem atravessa dias cinzentos com o casaco apertado até ao queixo, não por causa do frio, mas por causa do peso. Havia um cansaço invisível a morar-nos nos ombros, uma espécie de neblina interior que nos fazia andar devagar, pensar devagar, sorrir devagar. E então o sol voltou. Não fez discurso. Não prometeu nada. Apenas brilhou. Ontem, os alunos entraram na sala com uma luz diferente no rosto. “É tão bom ter o sol de volta”, diziam, como quem fala de um amigo que regressa de viagem. Sorriam com mais vontade, como se o sorriso tivesse sido guardado numa gaveta durante semanas e agora finalmente pudesse respirar. Um dele...