A minha forma imperfeita de estar no mundo
“Tu sentes tudo muito.” Ouvi esta frase primeiro da minha mãe. Repetida ao longo dos anos, quase sempre com preocupação disfarçada de correção. Como se sentir intensamente fosse um risco. Como se fosse preciso aprender a conter, a moderar, a não deixar transbordar. Cresci a acreditar que havia em mim um excesso — algo que precisava de ser ajustado para caber melhor no mundo e, talvez, para facilitar a vida de quem me rodeava. Durante muito tempo tentei aprender a sentir menos. A reagir menos. A guardar mais para mim. Achei que isso era maturidade. Só mais tarde percebi que estava a confundir crescimento com silenciamento. Hoje ouço aquela frase de outra forma. Não como crítica, mas como constatação. Não uma sentença, apenas um facto. A minha forma de estar no mundo é imperfeita porque é intensa. Porque sinto antes de explicar. Porque confio antes de desconfiar — ainda que hoje o faça com mais cuidado. Porque escuto c...