Ensinar também é aprender a escutar
Foi num intervalo curto, encostada à porta da sala, que percebi isto. Uma aluna ficou para trás. Não tinha uma pergunta concreta. Tinha apenas aquele silêncio pesado de quem quer dizer algo, mas ainda não sabe como. Durante muito tempo achei que ensinar era saber explicar bem. Encontrar as palavras certas, os exemplos claros, a estrutura que fazia sentido. Achava que a escuta vinha depois — como um complemento, quase um gesto de simpatia. Hoje sei que estava enganada. Ensinar começa muito antes da matéria. Começa no momento em que percebemos que nem tudo o que chega à sala de aula vem em forma de perguntas. Há silêncios que pedem mais atenção do que qualquer resposta certa. Há olhares cansados, inquietos, ausentes. Há dias em que o conteúdo é apenas o pano de fundo de algo maior que precisa de ser escutado. Aprendi que escutar não é interromper com soluções. Não é...