Regressos
O calendário diz que entrámos no outono. O calor, pelos vistos, não recebeu o aviso. Ao fim da tarde, ainda há verão no ar. Entretanto, já se abriram os cadernos e se começaram a acertar horários. Ou a tentar. Ainda nem passou uma semana de explicações e a agenda já tem setas, rasuras e trocas. Há horas que mudam de lugar, mensagens a responder, encaixes por descobrir. Chego ao fim do dia cansada. O recomeço tem este lado menos bonito, feito de relógios desregulados e de contas que não aparecem nos manuais. Mas também tem uma alegria difícil de explicar a quem nunca esperou pelo regresso de um aluno. Os antigos voltam e, com eles, uma familiaridade construída devagar. É bom matar saudades, ouvir o que aconteceu entretanto e perceber que a confiança sobreviveu às férias. Aos novos abro a porta e dou as boas-vindas. Ainda estamos a conhecer-nos: eu procuro perceber como pensam, onde hesitam, o que já sabem sem se terem dado conta. Eles vão descobrindo que aqui podem fazer perguntas, ...