O granito não esquece a montanha
Hoje é Dia dos Avós. E eu lembro-me dos meus. Lembro-me da minha avó Gracinda e do meu avô Miguel como quem abre a porta de uma casa antiga onde o lume continua aceso. Uma casa onde o tempo não conseguiu apagar as vozes, os cheiros, as histórias e aquela sensação rara de estarmos exatamente no lugar a que pertencemos. A minha avó Gracinda era uma verdadeira mulher da Serra da Estrela. Nascera numa aldeia serrana, onde os invernos endurecem as pedras e ensinam as pessoas a resistir. Era uma mulher feita de força, mas de uma força que não precisava de fazer barulho. A força da teimosia, da persistência e dos dias difíceis atravessados sem desistir. Caminhou descalça sobre a neve, levando uma filha ao colo, porque era preciso trabalhar, ajudar o meu avô e continuar. Naquele tempo, desistir não era sequer uma possibilidade. Do pouco fizeram muito. Trabalharam de manhã à noite, aos sábados, aos domingos e nos dias santos, porque a pobreza raramente respeita calendários e a t...