Londres, domingo — três amigas e uma cidade a dançar
Há domingos que parecem feitos para caminhar devagar, mesmo quando os pés já dizem o contrário. Este domingo começou em Brick Lane , essa rua onde Londres parece misturar tudo sem pedir licença: cheiros, línguas, cores, arte nas paredes, bancas, lojas improváveis, gente de todos os lados, vidas a cruzarem-se sem saberem que fazem parte da mesma fotografia. Gosto destes lugares que não se arrumam demasiado. Lugares com alma desalinhada, onde a cidade se mostra menos polida e mais verdadeira. Depois, Old Spitalfields Market . Mercados têm sempre qualquer coisa de promessa. Nunca sabemos exatamente o que vamos encontrar: uma peça bonita, uma comida nova, uma conversa inesperada, uma memória que acorda diante de um objeto qualquer. Caminhámos entre bancas, luz, movimento e aquela alegria simples de quem está longe de casa, mas acompanhada por pessoas que sabem fazer casa em qualquer lugar. E hoje éramos três. Eu, a minha irmã de vida, e a Ana. A Ana que nos acolheu. Que nos de...