origens
Sei de onde venho. E há uma paz antiga em poder dizê-lo sem vergonha, sem enfeites e sem necessidade de parecer maior do que sou. Sei onde nasci. Sei quem me trouxe até aqui. Sei as mãos que me ajudaram, as vozes que me ampararam, os gestos que me abriram caminho quando o caminho ainda era estreito. Não esqueço. Não esqueço quem me deu a mão. Quem acreditou. Quem me empurrou para a frente quando eu ainda não sabia bem que podia ir. Não esqueço os que me ensinaram, com pouco discurso e muito exemplo, que a dignidade não mora no que se tem, mas na forma como se vive. Sou neta de gente simples. Gente de trabalho, de palavra, de mãos gastas e costas direitas. Gente que talvez não tivesse muito para deixar em herança, mas deixou aquilo que mais importa: honestidade, resistência, coragem e uma certa maneira limpa de olhar os outros nos olhos. Há riquezas que não aparecem nos bancos. Passam-nos pelo sangue, pelo nome, pela memória, pela forma como entramos numa sala sem ...