Entre teoremas e equações
Começo o dia cedo, a ensinar Matemática. Às oito chega o primeiro aluno, e chega com aquela frescura quase improvável de quem ainda não foi vencido pelo peso do mundo. Sem sono. Enérgico. Bem-disposto. Com vontade de aprender. E eu, que já venho acordada há muito mais tempo do que o relógio sugere, reconheço logo essa espécie de milagre pequeno que é encontrar alguém com vontade de saber. Aqui, felizmente, nunca falta vontade de ensinar. Sentamo-nos lado a lado, como quem não vem apenas resolver exercícios, mas repartir uma travessia. E talvez ensinar seja isso: não conduzir de cima, mas acompanhar por dentro. Partilhar uma mesa, um caderno, um raciocínio, uma dificuldade, um silêncio. Partilhar o erro sem vergonha e a descoberta sem alarde. Partilhar a vida, no fundo, porque há sempre qualquer coisa de muito humana no instante em que alguém diz “já percebi” e o rosto se ilumina como se por dentro tivesse acendido uma janela. Talvez a nossa relação com a Matemática devesse...