Tempo
Não tenho uma agenda. Tenho duas. Talvez porque uma só não suporte tudo o que peço aos dias. Numa página ficam as horas, noutra continuam as obrigações, os encontros, o trabalho que começa quando o outro termina. Tenho dois empregos, um horário exigente e as horas ocupadas ao milímetro. Trabalho catorze horas por dia, de segunda a sábado. Ao domingo, ainda encontro o que fazer, organizar, preparar, gerir. A semana seguinte começa a pedir coisas antes de a anterior acabar. Escrevo isto e vejo os números. Vivê-los é diferente. Por dentro dessas horas há pessoas, decisões, dúvidas, atenção. Há coisas que continuam a acontecer em mim depois de terminado o tempo que lhes estava destinado. O relógio separa os compromissos com uma facilidade que a cabeça desconhece. Sou professora, mãe e esposa. Sou cuidadora. Estas partes de mim convivem, cruzam-se, chamam umas pelas outras. Entre todas, a minha maior tarefa é ser mãe. Cuidar dos meus. Acompanhar os seus caminhos, estar prese...