Nunca tarde demais
“Feliz aquele que administra sabiamente a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias.” Talvez só possa ser verdadeiramente feliz quem já conheceu a tristeza. Não porque a dor seja uma condição obrigatória para a felicidade, nem porque o sofrimento nos torne automaticamente melhores, mas porque quem caiu fundo no abismo aprende a reconhecer a escuridão nos olhos dos outros. Há dores que nos alargam por dentro. Depois delas, já não conseguimos olhar para alguém que sofre com a mesma distância. Passamos a saber que há silêncios que não significam indiferença, ausências que escondem batalhas e sorrisos que são apenas uma forma delicada de não desabar diante dos outros. Ninguém possui verdadeira empatia por aquilo que desconhece completamente. Podemos imaginar, tentar compreender, oferecer palavras, mas há territórios que só se conhecem depois de percorridos. Sabemos sempre muito acerca das nossas próprias verdades, mas falta-nos quase sempre experimentar o mundo com os sapatos do ...