Paradoxalmente
"És um paradoxo" disse-me ontem uma amiga. Fiquei a pensar naquilo. Talvez ela tenha razão. Gosto de resolver exercícios de matemática e de me demorar numa página de filosofia que me deixa mais perguntas do que aquelas com que comecei. Gosto da precisão de um cálculo e da liberdade de uma frase. Há dias em que preciso de compreender o funcionamento das coisas; noutros, basta-me ficar a olhar para elas. Um pôr do sol, por exemplo. Conhecer a explicação do porquê daquelas cores nunca me diminuiu o espanto. A verdade é que sou uma mulher com várias camadas. Algumas reconheço desde pequena, outras foram-se formando com os anos, com as pessoas, com aquilo que escolhi e com aquilo que a vida decidiu sem me consultar. Tenho convicções que amadureceram e certezas de que hoje me rio. Tenho uma coragem que, por vezes, chega depois do medo, e uma fragilidade que continua aqui, mesmo nos dias em que todos me acham forte. Essa força foi-se reunindo devagar, e veio de resol...