Quando os filhos crescem...

Há uma coisa curiosa que ninguém nos diz a nós mães quando os filhos nascem.

Dizem-nos muitas coisas, é verdade. Falam das noites mal dormidas, das fraldas, das birras, das primeiras palavras, dos primeiros passos. Avisam-nos que vai ser cansativo, que vai ser intenso, que a vida nunca mais será a mesma.

Tudo isso é verdade.

Mas esquecem-se de dizer uma coisa essencial: eles crescem.

E crescem depressa.

No início parecem sempre pequenos demais para o mundo. Cabem nos nossos braços, dormem encostados ao nosso peito e olham para nós como se fôssemos o lugar mais seguro do universo.

Depois, sem aviso prévio, começam a andar.

E quando começam a andar, começam também a afastar-se um pouco.

Primeiro são dois passos inseguros pela sala. Depois são corridas no parque. Depois são portas que se fecham para estudar, amigos que aparecem, mundos próprios que começam a nascer.

E nós vamos percebendo, devagarinho, que educar um filho é também aprender a deixá-lo partir.

Há pequenas coisas que só entendemos mais tarde, como aqueles desenhos tortos que nos ofereciam e que eram, afinal, obras-primas irrepetíveis, ou as perguntas intermináveis antes de dormir e que eram uma forma muito bonita de adiar, não só a hora de deitar, como de nos manter por perto.

Os filhos crescem.

E um dia damos por nós a olhar para eles com uma mistura curiosa de espanto e orgulho. Já não precisam de nós da mesma maneira, mas continuam a ser, de alguma forma misteriosa, uma extensão da nossa própria vida.

Há um momento muito silencioso em que percebemos isto: a nossa missão nunca foi mantê-los perto. Foi ajudá-los a ganhar asas.

E talvez o amor mais bonito e altruísta seja exatamente esse — o que ensina a voar mesmo sabendo que o céu deles já não será o nosso.

Mas há também uma espécie de milagre que acontece pelo caminho, mesmo quando crescem, mesmo quando seguem os seus próprios caminhos, há algo que permanece inalterável: são os pequenos fragmentos de nós que continuam a viver neles.

E então percebemos que, afinal, os filhos não partem completamente. Podem até viver espalhados pelo mundo — mas levam sempre um pedaço de casa dentro deles.

E talvez seja esse o segredo mais bonito da maternidade: perceber que, por muito que cresçam, nunca deixam verdadeiramente de voltar.

Porque há um lugar no mundo onde todos, independentemente do quão longe possam estar, gostam de regressar: ao colo da mãe, esse lugar seguro onde caberão sempre, tenham a idade e o tamanho que tiverem.

<

PB ✨

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