Quando a Inveja Fala Mais Alto: Ética, Educação e o Silêncio do Mérito

 Há uma pobreza que não é material, mas ética e intelectual, e ela revela-se com clareza quando alguém opta por dizer mal dos outros e do seu trabalho, não por crítica construtiva, mas movido pela inveja. A incapacidade de reconhecer o mérito alheio transforma-se, muitas vezes, numa necessidade constante de desvalorização do outro, como se diminuir alguém fosse a única forma de se sentir relevante.

A célebre frase “quando João fala de Paulo, diz mais sobre João do que sobre Paulo” resume com precisão esse comportamento. Quem vive apontando falhas alheias expõe, na verdade, as próprias fragilidades: insegurança, falta de competência, ausência de ética e um profundo vazio formativo. O ataque substitui o argumento, a maledicência ocupa o lugar do trabalho sério e a inveja disfarça-se de opinião.

Mais grave ainda é quando adultos — que deveriam ser referência — escolhem esse caminho. Ao falar mal de outros adultos, colegas ou profissionais, e ao minar a cabeça dos alunos com comentários depreciativos, não estão apenas a falhar como profissionais: estão a falhar como educadores e como cidadãos. Esse tipo de postura ensina, implicitamente, que o conflito se resolve pela desqualificação, que o sucesso do outro é uma ameaça e que o respeito é opcional.

Educar não é apenas transmitir conteúdos; é formar valores, atitudes e modos de estar no mundo. Quando um adulto promove a intriga, a fofoca e o julgamento leviano, demonstra uma clara falta de formação humana e ética. Revela também uma educação incompleta, incapaz de lidar com a diversidade, a crítica saudável e o reconhecimento do mérito alheio.

Trabalho como explicadora de Matemática há mais de 30 anos e é profundamente triste constatar que, ao longo de décadas, certas atitudes — ou a falta delas — permanecem inalteradas. Apesar da experiência, da dedicação e dos resultados, continuam a existir pessoas que escolhem o caminho mais fácil: dizer mal, denegrir o trabalho dos outros e alimentar discursos negativos.

Essas pessoas esquecem-se de algo fundamental: a lealdade. Um valor silencioso, mas forte, que une quem trabalha com seriedade e compromisso. Esquecem-se também de que os alunos não são ingénuos. Eles ouvem, sentem e percebem. Ficam tristes ao testemunhar essas atitudes e reconhecem, nos comentários maldosos, não força ou superioridade, mas desconforto, insegurança e inveja. No fim, o que fica não é a crítica, mas a imagem de quem a faz — e essa, inevitavelmente, diz tudo.

Comentários

  1. Inveja : o veneno do povo português que atrofia qualquer arrojo e pretensão de crescimento de Portugal! Camões já o denunciara ao fechar a sua obra grandiosa Com a palavra INVEJA! Parabéns pelo seu excelente trabalho! Continue e “assobie para o lado “. Beijinhos

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Querida C.

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