Há dias difíceis
Há dias difíceis.
Hoje foi um deles.
Há dias em que acordamos com a sensação tranquila de que tudo seguirá o seu caminho habitual — e, no entanto, ao longo das horas, o dia começa a pesar. Como se o ar se tornasse mais denso. Como se o vento mudasse de direção sem aviso.
Hoje foi um dia assim.
Um dia de injustiças que custam a aceitar. Daquelas que nos deixam um nó na garganta e uma pergunta silenciosa a ecoar dentro de nós: porquê?
Às vezes as pessoas podem ser muito duras. Muito pouco cuidadosas.
Há quem fale sem pensar, quem julgue sem conhecer, quem comprometa o trabalho dos outros sem medir as consequências. E há dias em que essas pequenas ou grandes faltas de ética nos atingem com uma força inesperada.
Foi um desses dias.
Um dia angustiante.
Senti-me triste, cansada, profundamente em baixo. Porque quando damos sempre o nosso melhor — quando colocamos verdade, esforço e dedicação naquilo que fazemos — custa muito ver esse compromisso posto em causa.
Custa perceber que nem sempre o mundo funciona com a justiça que gostaríamos.
Nem sempre o vento sopra a nosso favor.
Mas a vida, curiosamente, tem uma forma estranha de equilibrar as coisas.
Quando o dia já parecia demasiado pesado, quando a frustração já tinha ocupado demasiado espaço dentro de mim, chegou uma notícia.
Uma boa notícia.
Talvez a melhor de todas.
E foi curioso perceber como, de repente, a luz voltou a entrar no dia. Como se alguém tivesse aberto uma janela num quarto fechado. Como se o universo, silenciosamente, tivesse decidido lembrar-me de uma coisa importante: que nenhum dia é feito apenas de sombra.
Às vezes basta uma pequena claridade para mudar o peso das horas.
Hoje continuo a acreditar naquilo que dou de mim. No trabalho feito com honestidade. No esforço que ninguém vê, mas que está sempre presente.
E continuo a acreditar que, mesmo quando o mundo parece um pouco desalinhado, há sempre um momento — inesperado, quase discreto — em que a vida nos devolve algum equilíbrio.
Hoje foi um dia difícil.
Mas terminou com uma luz.
E, às vezes, é isso que nos salva.
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