A escola não é uma corrida
Às vezes a escola pode parecer uma montanha.
Uma daquelas montanhas grandes, íngremes, com muitos caminhos e alguns obstáculos pelo meio.
Há momentos em que a subida parece tranquila. Outros em que o caminho se torna mais difícil e sentimos que estamos a ficar para trás.
É nessa altura que aparecem três companheiros pouco simpáticos: a pressão, o medo de falhar e a comparação com os outros.
Vocês começam a olhar à volta e parece que toda a gente está a subir mais depressa.
Alguém tem melhores notas.
Alguém percebe a matéria mais rápido.
Alguém parece sempre mais confiante.
E então surge aquela pergunta silenciosa que pesa mais do que devia:
“E se eu não conseguir?”
Mas há uma coisa importante que muitas vezes se esquecem. Subir uma montanha não é uma corrida.
Cada pessoa tem o seu ritmo.
Cada pessoa precisa de pausas diferentes.
Cada pessoa encontra desafios em partes diferentes do caminho.
Há quem tropece no início e depois avance com confiança.
Há quem comece rápido e depois precise de parar para recuperar fôlego.
E há quem descubra, ao longo da subida, que aquilo que parecia impossível afinal só precisava de mais uma tentativa.
Aprender funciona um pouco assim.
Não é sobre nunca errar.
É sobre continuar a tentar.
Os erros não são sinais de fracasso. São sinais de que estamos a aprender algo novo.
As dúvidas não são fraquezas. São parte do caminho.
E o medo de falhar, embora pareça enorme, muitas vezes é apenas o medo de descobrir que ainda estamos a crescer.
Talvez a escola devesse lembrar-nos mais vezes de uma coisa simples: que ninguém nasce a saber e que toda a aprendizagem é uma subida.
Há dias em que avançamos muito.
Há dias em que avançamos pouco.
E há dias em que simplesmente aprendemos a não desistir.
E, na verdade, talvez essa seja a parte mais importante de todas.
Porque na vida — tal como numa montanha — o mais impressionante não é chegar ao topo.
É continuar a subir.
PB
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