Sobre quem somos

Há uma coisa que a vida me tem ensinado, devagar e às vezes à força: não controlamos aquilo que os outros pensam de nós.

Podemos tentar explicar, justificar, mostrar quem somos. Podemos agir com honestidade, dar o nosso melhor, fazer tudo com consciência tranquila. Ainda assim, haverá sempre alguém que interpreta de outra forma, que julga sem saber, que constrói uma história diferente daquela que realmente existe.

Durante muito tempo isso incomodou-me.

Custava-me perceber que as pessoas podem falar sem conhecer, formar opiniões sem ouvir, ou tirar conclusões rápidas sobre coisas que nunca se deram ao trabalho de compreender.

Mas com o tempo fui percebendo uma coisa simples e libertadora: eu não controlo o que os outros pensam ou dizem.

E talvez nem deva tentar.

O que posso controlar é outra coisa.

Posso controlar a forma como reajo. Posso escolher a serenidade em vez da revolta, o silêncio em vez da discussão inútil, a dignidade em vez de me deixar arrastar por atitudes que não me representam.

Aprendi também que aquilo que os outros dizem sobre nós raramente fala verdadeiramente de nós.

Fala das suas próprias inseguranças. Das suas frustrações. Das lentes através das quais olham para o mundo.

Por isso, aquilo que pensam sobre mim já não é um problema meu.

É apenas um reflexo de quem são.

O meu verdadeiro trabalho é outro: continuar fiel aos meus valores, agir com respeito, fazer o melhor que sei e posso.

Nem sempre é fácil. Há dias em que as palavras dos outros pesam mais do que deviam. Mas depois lembro-me de algo importante: a minha paz não pode depender das interpretações alheias.

No fim de contas, cada pessoa revela-se na forma como olha para os outros.

E talvez a verdadeira liberdade comece exatamente aí — no momento em que percebemos que não precisamos de controlar o olhar do mundo, apenas a forma como escolhemos caminhar dentro dele.

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