Londres, dia dois — entre museus, palcos e ruas que parecem cenários
Há cidades que não se visitam apenas com os olhos. Visitam-se com os pés cansados, com o riso fácil, com a curiosidade acesa e com aquela sensação boa de que cada esquina pode guardar uma história.
Na sexta-feira, Londres leva-nos primeiro ao "British Museum". Gosto da ideia de começar o dia rodeada de tempo. De objetos que atravessaram séculos, de civilizações inteiras guardadas em salas, de pedras, estátuas, mapas, memórias e perguntas.
Há qualquer coisa de profundamente humana num museu: percebemos que somos pequenos, mas também percebemos que deixamos marcas. Que tudo passa e, ainda assim, alguma coisa fica.
Depois, seguimos para outro tipo de memória: o teatro. Vamos ver The Book of Mormon. Londres tem esta magia — num momento estamos diante da história antiga da humanidade, no outro estamos sentadas numa sala de espetáculo, à espera que o palco se acenda e que a vida nos arranque gargalhadas.
E talvez seja isso que eu mais gosto nas viagens: a forma como nos lembram que podemos ser muitas pessoas no mesmo dia. A que contempla, a que aprende, a que se emociona, a que ri, a que caminha sem pressa, a que se perde e se encontra.
Pelo meio, Covent Garden Market. Um daqueles lugares onde a cidade parece conversar connosco em várias línguas ao mesmo tempo: música de rua, lojas bonitas, artistas, gente que passa, cafés, bancas, movimento.
Depois Seven Dials, com as suas ruas a abrirem-se como possibilidades. E Neal’s Yard, esse recanto colorido que parece ter sido pintado num dia em que Londres decidiu estar especialmente feliz.
E, ao fim do dia, Chinatown. Porque há dias que merecem terminar entre luzes, aromas, ruas cheias e uma mesa posta para duas amigas que têm sempre assunto. Sempre. Mesmo depois de trinta e cinco anos.
Talvez seja essa uma das provas mais bonitas da amizade: continuar a haver conversa, espanto, riso, confidência, comentário, silêncio confortável e mais conversa.
Viajar juntas pela primeira vez, depois de tantos anos de amizade, tem sido uma espécie de celebração. Não só da cidade, mas de nós. Daquilo que fomos, daquilo que somos, daquilo que ainda queremos viver.
Londres é o cenário, mas a história principal é esta: duas amigas, uma vida inteira de cumplicidade, e a alegria de descobrir que ainda há ruas novas para atravessar lado a lado.
Amanhã haverá mais passos, mais fotografias, mais histórias e, provavelmente, mais uma ou outra gargalhada no meio de qualquer coisa que só nós vamos achar graça.
Por agora, fica este dia: British Museum, teatro, Covent Garden, Seven Dials, Neal’s Yard e jantar em Chinatown.
Mais um dia em Londres. Mais uma página nossa.
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