Dizer adeus ....

Hoje é o último dia de explicações do 12.º ano.

Escrevo esta frase e ela pesa mais do que parecia. Porque não se despedem apenas alunos. Despedem-se rotinas, lugares ocupados à mesma hora, cadernos abertos, dúvidas trazidas à pressa, exercícios começados com medo e acabados com um sorriso, gargalhadas no meio do cansaço, ralhetes necessários, silêncios atentos, vitórias pequenas que só nós sabemos o tamanho que tiveram.

Foram anos, para alguns. Meses intensos, para outros. Mas, de uma forma ou de outra, fomos construindo uma coisa muito nossa. Mais do que aulas. Mais do que Matemática. Mais do que uma professora e os seus alunos.

Construímos uma tribo.

Uma tribo feita de estudo, de confiança, de trabalho sério, de companheirismo e de presença. Partilhámos a vida de todos os dias: o que nos alegrava, o que nos preocupava, o que nos cansava, o que sonhávamos. Houve contas, claro. Muitas. Houve funções, probabilidades, derivadas, limites e tudo o que a Matemática decidiu colocar no nosso caminho. Mas houve também crescimento, amizade, coragem, teimosia boa e aquela forma bonita de nos puxarmos uns aos outros.

Ninguém larga a mão de ninguém. Foi sempre assim.

Se um subia, subíamos todos um bocadinho. Se um não conseguia, alguém ajudava. Se um duvidava, havia outro a lembrar que era possível. Fomos motores uns dos outros. Vocês confiaram em mim, e eu confiei em vocês. Torceram por mim e pelos meus sonhos, como eu torci pelos vossos. E isso, meus alunos, não cabe numa nota, nem num exame, nem numa pauta.

Amanhã é o exame.

E amanhã, de certa forma, já não está nas minhas mãos. Fizemos o caminho que tínhamos de fazer. Planeámos, treinámos, repetimos, insistimos, corrigimos, levantámos depois de errar. Agora é convosco. Agora levam tudo isso para dentro daquela sala. Levam o que sabem, mas também levam quem se tornaram ao longo deste percurso.

Gostava que a vida vos fosse justa. Gostava que o exame vos desse espaço para mostrar o que sabem. Gostava que a ansiedade ficasse pequena e a confiança ocupasse o lugar maior. Gostava que cada pergunta fosse uma porta e que, passo a passo, vocês conseguissem atravessá-la.

Mas, acima de tudo, gostava que nunca se esquecessem disto: o exame é importante, mas não vos define por inteiro. É uma etapa. Uma porta. Um momento do caminho. E o caminho que fizeram até aqui já diz muito sobre vocês.

Tenho muito orgulho em cada um. No esforço, na evolução, na persistência, na coragem, na forma como cresceram como alunos e como pessoas. Foi um privilégio ensinar-vos. Foi uma alegria ter-vos por perto. Foi uma honra fazer parte desta fase da vossa vida.

Hoje digo adeus às explicações do 12.º ano. Mas não digo adeus a vocês.

Porque há pessoas que deixam de estar todos os dias no mesmo lugar, mas continuam connosco. E vocês ficam. Ficam na Academia, na memória, nas histórias, nas gargalhadas, nas contas feitas, nos sonhos partilhados e nesta tribo que construímos juntos.

Amanhã, entrem com calma. Respirem. Leiam. Pensem. Confiem.

Que a vida vos seja justa e generosa.
Que o exame seja uma porta aberta.
E que vocês nunca se esqueçam de que são capazes.

Estou convosco.
Hoje, amanhã e sempre.

A vossa professora.

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