Escola Doutoral de Primavera

Hoje foi o dia do meu painel, da minha apresentação, da minha comunicação. E, por si só, isso já faria deste um dia especial. Já era bom saber-me ali, amparada pela presença dos meus orientadores, dos professores que tanto respeito, das amigas de sempre, de tantas pessoas que fazem parte do meu caminho e daquilo que me fui tornando. Já era um daqueles dias que se guardam com cuidado, como quem fecha as mãos sobre uma coisa preciosa.

Mas o dia ganhou outra luz.

Ganhou-a porque, no meio de tudo isto, pude juntar a esta alegria a presença boa do filho grande e do marido, que fizeram muitos quilómetros só para me virem ver apresentar, só para estarem ali, só para apoiar. E há gestos assim que dizem tudo sem precisarem de grandes palavras. Porque fazer tantos quilómetros por amor é, no fundo, uma forma muito bonita de dizer: “estamos contigo”, “isto também é importante para nós”, “o teu caminho é também um bocadinho nosso”.

E isso tocou-me de um modo difícil de explicar. Porque há momentos em que a vida parece, por instantes, encaixar-se toda no lugar certo. Hoje senti um pouco isso. Senti que consegui reunir, à volta deste momento tão importante para mim, quase toda a minha família do coração e da vida: a família que me acompanha em casa, a família académica que me ajuda a crescer, e a família escolhida das amizades que resistem ao tempo e à distância.

Ficou só a faltar a minha azulinha e os meus alunos queridos para que tudo fosse mais do que perfeito. Mas talvez a beleza dos dias felizes também esteja nisso: nunca são completos de forma absoluta, e ainda bem, porque deixam sempre espaço para o desejo, para a saudade boa, para aquilo que levamos connosco e que, mesmo não estando fisicamente presente, está inteiro dentro de nós.

Hoje apresentei a minha comunicação, sim. Mas hoje, mais do que isso, senti-me acompanhada. Senti-me vista. Senti-me apoiada. E, no meio de um percurso tantas vezes feito de esforço silencioso, de trabalho escondido, de cansaços que nem sempre se mostram, ter ali aqueles rostos, aquelas presenças, aquele amor em forma de viagem e de abraço, fez tudo ganhar um sentido ainda mais fundo.

Há conquistas que são nossas, mas que só brilham assim porque alguém caminha ao nosso lado. E hoje foi exatamente isso que senti: que os passos que me trouxeram até aqui são meus, sim, mas são também feitos de colo, de incentivo, de escuta, de paciência, de presença. E talvez seja essa a forma mais bonita de chegar a qualquer lugar: chegar com o coração cheio de quem nos ajudou a não desistir.

Hoje foi o meu painel. Foi a minha apresentação. Foi a minha voz naquele momento. Mas foi também um dia de família e amigos, de amor e de gratidão. E isso tornou tudo infinitamente mais bonito.

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