🪨 Sobre Sísifo, o absurdo… e continuar

Alguém me deixou um comentário no texto anterior ... Alguém que comentou: “Sísifo e o absurdo da vida, mas ainda assim feliz.” Fiquei a pensar nessa frase. Porque há ali qualquer coisa que fica e porque há momentos em que a vida parece exatamente isso: Como Sísifo, a empurrar a pedra montanha acima. Estudamos, esforçamo-nos, tentamos fazer melhor… e, às vezes, tudo parece voltar ao início. Outra vez. Sem aplausos. Sem garantias. Sem aquele “cheguei” que imaginámos. E então aparece a pergunta — talvez a mais difícil de todas: Se tudo isto se repete… onde está o sentido? Talvez não esteja no topo. Talvez nunca tenha estado. A ideia de Sísifo, como a descreve Camus, não é sobre desistir. É sobre perceber que, mesmo quando o caminho não tem um fim claro, há algo profundamente humano em continuar. Não porque é fácil. Mas porque é escolha. E isso muda tudo. Porque talvez o sentido da vida não esteja apenas em alcançar alguma coisa final, mas na forma como caminhamos — mesmo quando não sabemos exatamente para onde. Na forma como tratamos os outros enquanto subimos. Na forma como nos levantamos quando a pedra cai. Na forma como escolhemos não desistir. Ser feliz, neste contexto, não significa que tudo está bem o tempo todo. Significa que, mesmo no meio do esforço, mesmo na repetição, mesmo na incerteza… há uma aceitação tranquila de que este é o caminho e que, de alguma forma, ele basta. Talvez seja isso que o comentário quis dizer. Que a vida pode ser absurda. Que nem tudo faz sentido. Que nem sempre há respostas. Mas que ainda assim, podemos escolher continuar. E talvez, nesse continuar, haja uma forma muito simples… e muito profunda… de felicidade. Obrigada a quem me deixou essa frase. Às vezes, uma linha chega para abrir uma reflexão inteira 💫 PB

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