Abraços bons
Hoje, uma mãe chegou à academia, olhou para mim com atenção — daquela atenção que vê para além do óbvio — e perguntou, com uma simplicidade desarmante: “Está bem?”
Sorri, como sempre. Fiz uma piada, como sempre. Mas, talvez pela primeira vez em muito tempo, respondi: “Não.”
E foi aí que aconteceu o inesperado.
Abraçou-me.
Sem pressa. Sem palavras. Um abraço apertado, demorado, quase como se soubesse exatamente onde doía. Um abraço quente — daqueles que não pedem explicações nem oferecem soluções, apenas ficam.
E, nesse silêncio, caiu uma lágrima. Ou duas. Não sei bem. Sei apenas que éramos duas mulheres ali, por instantes despidas dos papéis, das forças aparentes, das exigências do dia — duas mulheres a precisar de colo.
No fim, agradeci, com a voz ainda presa.
E ela respondeu, com uma serenidade que não se esquece:
“Retribuo hoje todos os abraços que dá à minha filha. Todo o colo.”
Há gestos que nos atravessam.
Porque, no meio de tudo — das rotinas, das responsabilidades, das máscaras que aprendemos a usar — há uma verdade simples que às vezes esquecemos: cuidar também nos devolve ao lugar onde, um dia, vamos precisar de ser cuidados.
E talvez seja isso que fica.
Que o amor que damos, mesmo quando ninguém vê, encontra sempre forma de voltar. 🤍
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