Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência
Hoje celebramos muito mais do que uma data. Celebramos coragem. Celebramos persistência. Celebramos cada menina que ousa dizer: “Eu quero entender o mundo.”
Ser professora de Matemática é, para mim, um privilégio imenso. Todos os dias entro na sala de aula e vejo ali cientistas em potência. Vejo nas minhas alunas a curiosidade inquieta de quem não aceita respostas superficiais. Vejo o brilho nos olhos quando um problema difícil finalmente faz sentido. Vejo a coragem de perguntar, de errar, de tentar outra vez.
Elas talvez ainda não saibam, mas já carregam dentro de si a essência da ciência: questionar, investigar, persistir.
O caminho das mulheres na ciência nunca foi simples. Foi feito de portas fechadas, de silêncios impostos, de reconhecimento negado. Foi construído com passos firmes sobre dúvidas alheias. Muitas vieram antes de nós e abriram trilhas onde só existiam muros. Lutaram para estudar, para publicar, para ensinar, para serem ouvidas. E cada conquista delas ecoa hoje em cada laboratório, em cada sala de aula, em cada universidade.
Eu própria trilhei um caminho exigente. Escolhi ser engenheira num meio maioritariamente masculino. Entrei em salas onde era a única mulher. Senti o peso das expectativas, os olhares que duvidavam antes mesmo de eu falar. Tive de provar — muitas vezes mais do que os outros — que competência não tem género. Tive de aprender a ser firme sem deixar de ser eu. A ocupar espaço sem pedir desculpa por isso.
Mas cada desafio fortaleceu a minha convicção: lugar de mulher é onde ela quiser estar — inclusive na ciência, na engenharia, na matemática, na investigação, na liderança.
Hoje, quando olho para as minhas alunas, vejo continuidade. Vejo futuro. Vejo possibilidades infinitas. Quero que saibam que pertencem a qualquer equação que queiram resolver, a qualquer laboratório que queiram liderar, a qualquer projeto que queiram sonhar.
Que nunca deixem que lhes digam que é difícil demais. Que nunca confundam obstáculos com limites. Que entendam que a ciência precisa delas — da sua inteligência, da sua sensibilidade, da sua visão única do mundo.
Neste Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência, celebro as que vieram antes, honro a mulher que me tornei e, sobretudo, acredito profundamente nas mulheres que estão a crescer diante de mim.
Porque cada menina que aprende a gostar de Matemática ou de Físico-Química é uma revolução silenciosa em andamento.
E eu tenho o privilégio de assistir — e de fazer parte — dessa transformação.
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