Quando um ensina, dois aprendem ...

Na educação, a humildade não é fraqueza nem renúncia à autoridade do saber. É, antes, a consciência lúcida de que ensinar e aprender são atos incompletos, sempre em construção. O educador humilde não se coloca acima do conhecimento nem do aluno; coloca-se ao serviço de ambos. Ensina porque sabe, mas continua a aprender porque compreende os limites do que sabe.

A humildade pedagógica manifesta-se, antes de tudo, na escuta. Escutar o aluno não é ceder ao relativismo nem abdicar do rigor científico; é considerar que o conhecimento só se torna verdadeiramente formativo quando se encontra um sujeito que o interroga. O professor que escuta não perde autoridade: ganha sentido. A sua palavra deixa de ser imposição para se tornar mediação.

Também o aluno é chamado à humildade do aprender. Aprender exige aceitar ou não saber, expor uma dúvida, arriscar ou errar. Numa cultura que valoriza o desempenho imediato e comparativamente constante, a humildade educativa restitui dignidade ao processo. Educar não é competir, é compreender; não é acumular respostas, é aprender a formular boas perguntas.

A humildade protege ainda a educação da tentativa da certeza absoluta. Nenhum currículo esgota o real, nenhum método garante por si só a aprendizagem, nenhuma avaliação traduz completa o percurso de um estudante. Reconhecer isto não fragiliza a escola; humaniza-a. O rigor não se opõe à humildade — nasce dela.

Num tempo marcado pela tração, pela exposição e pela simplificação do pensamento, a humildade torna-se uma virtude pedagógica essencial. Ela recorda-nos que formar é mais do que instruir e que educar é, antes de tudo, um ato ético: um compromisso com a verdade, com a complexidade e com a dignidade do outro.

Assim entendida, a humildade não diminui o educador nem o educando. Eleva ambos, porque os situa no lugar justo do conhecimento: aquele em que se caminha com exigência, mas sem soberba; com consciência, mas sem medo; com saber, mas sempre com abertura ao que ainda está por aprender


PB

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Querida C.

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