O que guardamos do silêncio
Há dias em que o silêncio pesa mais do que qualquer palavra. Não aquele silêncio ruidoso de quando nada acontece, mas o silêncio que se instala depois de dizermos tudo o que podíamos — e um pouco mais.
O silêncio é um lugar onde as coisas estranhas ganham voz. É ali que as perguntas que nunca fazemos ficam a ecoar: será que disse o que preciso de dizer? Será que percebeu aquilo que sentiu? Será que você entenderá verdadeiramente as mudanças que já aconteceram dentro de mim?
Crescer é sobretudo aprender a escutar este silêncio. Ele não chega sempre com esforços — por vezes dobra-se ao fim de dias longos, pesados, quando o corpo reclama descanso e a mente não desliga. Outras vezes, surge de repente, como se uma porta tivesse sido fechada e deixada para trás uma sala cheia de ecos.
Sem silêncio, aprenda a identificar aquilo que realmente importa:
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O peso de uma saudade que ainda aperta o peito;
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A calma que chega quando deixamos de lutar com cada pensamento;
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A certeza de que algumas relações mudam e ficam melhores — ou simplesmente diferentes;
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O reconhecimento de que muitas vezes precisamos de estar sozinhos para realmente nos encontrarmos.
E talvez a coisa mais surpreendente seja perceber que o silêncio não está vazio. Ele está cheio de tudo aquilo que ainda não encontramos palavras para dizer. Cheio de possibilidades. Cheio de reconstruções. Cheio de nós mesmos.
Aprendi que não preciso preencher cada segundo com som ou ação para que a vida seja significativa. Às vezes, é no silêncio que sentimos mais verdadeiramente — porque ali já não estamos a tentar ser ou parecer; estamos apenas a ser .
E isso, embora simples, é profundo.
PB
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