Diário de um sábado longo
Hoje foi um sábado longo.
Daqueles que começam antes do corpo acordar por completo.
Levantei-me cedo, ainda em modo zombie, com os gestos automáticos de quem sabe o caminho mesmo de olhos semicerrados. Preparei-me devagar, como quem vai regressando à vida passo a passo. Tomei o pequeno-almoço, bebi café — esse combustível essencial que me devolve ao mundo —, tomei a medicação e, pouco a pouco, fui-me recompondo. Às nove horas em ponto, já estava operacional, funcional, presente.
Quando cheguei, os alunos já me aguardavam no hall. Havia risos soltos, abraços espontâneos, aquela energia boa que antecede o desafio. Subimos juntos, prontos a enfrentar a Matemática — essa velha conhecida que assusta, provoca, mas também ensina.
Os grupos foram-se sucedendo, uns atrás dos outros, como páginas de um livro que se folheia sem pressa: 9.º, 10.º, 11.º, 12.º, 5.º… Para todos houve espaço. Para todos houve tempo. Para todos houve atenção.
Pelo meio, houve peripécias. A nossa Emília, sempre decidida a roubar colo e atenção, lembrou-nos que nem tudo se mede em números. Houve gargalhadas inesperadas, desabafos ditos em voz baixa, olhares de cansaço e de alívio. E houve, claro, muita Matemática — explicada, repetida, pensada em conjunto, até fazer sentido.
O almoço aconteceu tarde, quase fora de horas, como acontece nos dias cheios. E agora, já perto das 21h, sinto que o dia de trabalho se aproxima do fim. Um cansaço bom, honesto, daqueles que sabem a missão cumprida.
Pelo caminho, ainda houve tempo para algo especial: a visita de uma ex-aluna. Conversa da boa, dessas que aquecem por dentro, à volta de uma chavena de café. Momentos que não se planeiam, mas que ficam.
Foi um sábado longo. Intenso. Humano.
Feito de café e contas, de risos e abraços, de números e pessoas.
Um daqueles dias que cansam o corpo, mas alimentam a alma.
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