final de ano

Se 2025 fosse uma palavra, talvez fosse inquietação ou outro verbo em movimento 

Foi um ano em que pensei demais, sonhei em excesso, e ainda assim tive a sensação de que o essencial acontecia nos intervalos. Tive milhares de ideias — algumas perderam-se, outras ganharam pernas. Mexi em montanhas pequenas e grandes, plantei projetos como quem semeia árvores sem saber se viverá para lhes sentir a sombra.

Fiz cinquenta e dois anos, esse número que não pesa, mas afina o olhar. Vi os meus 2 filhos crescerem com a dignidade tranquila de quem aprende a habitar o mundo. Ultrapassaram etapas importantes, e eu aprendi com eles que o tempo não rouba: transforma.

Falei para câmaras e microfones, li como quem respira, escrevi para não me perder. Dei centenas de horas de matemática, uma formação e acompanhei 4 turmas do Ensino superior, participei em encontros, escutei histórias suficientes para encher várias vidas e participei em 2 congressos, um deles internacional. Falei com gente notável e inspiradora, dessas que nos lembram que ainda vale a pena. E irritei-me, sim, com o estado do mundo, esse lugar tantas vezes maltratado por quem o habita.

Comprei algumas guerras sem nunca abdicar dos meus princípios estruturantes e dos valores que não se negociam. Fui ao Festival dos Míscaros — onde a terra, a palavra e a memória se encontram — e participei com um texto da minha autoria num festival literário, esse outro território onde se resiste com frases.

Viajei com o meu amor, e criámos memórias daquelas que continuam a acontecer depois do regresso.

Espantei-me. Desiludi-me. Reinventei-me. Superei-me.
Diverti-me com intensidade. Fiz ainda mais amigos. Ajudei sempre que pude. Ignorei os estúpidos e os invejosos — uma forma tardia, mas eficaz, de sabedoria.

O mais importante? Tive saúde apesar de alguns contratempos e tomo mais medicação do que gostava, mas sigo firme. Amei e sou amada. Que mais quero? Tudo o resto são notas de rodapé.

2026 aproxima-se agora com uma novidade épica, ainda sem nome, que me vai tirar o chão debaixo dos pés. E não há nada que me dê mais prazer do que este friozinho na barriga que anuncia aprendizagem, risco e novos caminhos.

Obrigada, vida, por seres tão generosa comigo. Prometo continuar a retribuir.

2025 obrigada. Não foste perfeito. Mas foste quase 🥰♥️

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