Dois dias só para nós
Dois dias só para nós, no coração da Sertã, onde o tempo parece desacelerar e cada instante se torna inteiro. Chegamos antes do fim do ano, para descansar da loucura do natal e nos prepararmos para a loucura do final de ano.
O Convento da Sertã acolhe-nos com o cheiro ainda doce do Natal, em cada canto, em cada mesa, em cada gesto de quem nos recebe como ninguém. Este lugar faz parte da nossa história: desde os tempos em que o Miguel e a Maria eram pequenos, sempre que queremos descansar, ler, comer bem e estar em paz, voltamos para cá. Há uma familiaridade na simpatia deles, uma leveza que nos faz esquecer do mundo lá fora e nos convida simplesmente a ser e a estar.
Depois do pequeno-almoço caminhamos juntos pelas ruas silenciosas, ainda há mercadinho de natal, vamos ao café de sempre à beira rio e escrevemos os nossos desejos juntos, entre sorrisos e olhares cúmplices. Há uma capelinha pequena, escondida entre paredes antigas, onde por vezes nos demoramos, agradecendo — sem pressa — a vida, o amor, a sorte de estarmos ali, assim, um com o outro, mais um ano, mais uma vez.
Comemos bem, como só se come nas Beiras, com o tempo de saborear cada prato, cada conversa, cada vinho. O descanso é profundo, feito de lençóis macios, de manhãs lentas, de conversas que se estendem desde o pequeno-almoço até à tarde.
E ao final de cada dia, sentimos que a Sertã nos deu mais do que refúgio: deu-nos a memória desses dias, a certeza de que há lugares e momentos que são só nossos, que nos acompanham desde sempre, e que o amor floresce melhor quando se tem tempo, tempo para agradecer, tempo para existirmos juntos, e tempo para simplesmente nos perdermos nos detalhes de cada esquina, de cada gesto, de cada cheiro de Natal que ainda paira no ar.
Voltar à Sertã para terminar o ano é tudo de bom ... é regressar depois a casa descansada e em paz e pronta para receber 2026 e tudo o que ele quiser trazer consigo.
PB
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