2026
O fim de um ano não é um fecho, é uma dobra. Como quando se vira uma página de um livro sem saber ainda se o próximo parágrafo vai ser bom. As metas que não se cumpriram não falharam — ficaram em suspenso, à espera de outro fôlego. As que se cumpriram repousam, cansadas, como sapatos depois de uma longa caminhada.
No início de um novo ano há sempre esta ilusão bonita de começo limpo. Não é verdade, claro, mas ajuda. Trazemos connosco tudo o que fomos, mas arrumado de outra maneira. O tempo não apaga nada, apenas reorganiza.
Para 2026 não desejo grandes feitos. Desejo continuidade. Desejo tempo para reparar no que importa, coragem para começar o que ainda me assusta e lucidez para largar o que já não faz sentido nenhum. Desejo metas possíveis e esperanças discretas, dessas que não fazem barulho mas resistem ao tempo.
Que 2026 venha com a leveza de manter por perto os amigos de sempre, aqueles que resistem ao tempo, às distâncias e às mudanças. Amigos que são casa, memória e riso fácil. E que nunca me faltem as irmãs que não sendo de sangue, são ainda mais valiosas: escolhidas pela vida, firmadas pelo afeto, presentes nos silêncios e nas celebrações.
Para 2026, desejo que meus filhos, Miguel e Maria, cresçam com saúde, curiosidade e coragem. Que a vida lhes seja generosa, mas que também os ensine a ser fortes, justos e sensíveis. Que nunca lhes falte amor, proteção e a liberdade de serem quem são, seguindo os seus próprios sonhos com confiança.
E para o meu amor de sempre, desejo continuidade. Mais tempo, mais cumplicidade, mais mãos dadas diante do que vier. Que sigamos escolhendo-nos um ao outro, com cuidado e afeto, mesmo nos dias comuns — porque é neles que o amor verdadeiro mora.
Que 2026 seja simples no essencial, abundante no afeto e honesto nos sentimentos. Que venham novos dias, mas que permaneça tudo aquilo que ja faz a minha vida valer a pena.
PB
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