Regresso

Voltar é uma arte.

Quatro dias fora da rotina — quatro dias a ver o tempo respirar sem pressa — e o mundo parece ter mudado de tom. O café sabe mais a café, o corpo volta a caber dentro de si, e o silêncio tem o som bom de um motor a aquecer.

As férias intercalares são pequenas, quase um sopro, mas bastam para lembrar que a pausa também ensina. Ensina a estar. Ensina a ouvir. Ensina a voltar inteira.

Porque é disso que se trata: regressar inteira.
Não metade de mim a corrigir testes e a outra metade a pensar no que falta, mas eu toda — presente, desperta, curiosa — para acolher o que chega.
Os alunos chegam sempre como páginas em branco com notas de rodapé. Trazem histórias escondidas entre linhas, rabiscos que só se entendem com tempo e atenção. E talvez o meu papel seja esse: ajudar a decifrar o texto que cada um é, com os seus erros, vírgulas trocadas e parágrafos ainda por escrever.

Voltar depois de 4 dias fora é quase como abrir uma nova janela: entra luz, entra ar, entra vontade.
E é bonito perceber que, mesmo quando me afasto, continuo a ser feita de escola — não do prédio, mas do encontro.

Talvez ensinar seja também isso: partir para regressar com mais espaço dentro de nós.

PB

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