Pequenos gestos que salvam o dia

Às vezes, o mundo parece pesado demais para carregar sozinho.

Os problemas acumulam-se, o tempo parece curto, e cada minuto custa um esforço. Mas, no meio dessa rotina áspera, há pequenos gestos que aparecem como respingos de luz, discretos, mas capazes de mudar tudo.

Os desenhos que os meus alunos mais novos me oferecem sem motivo, rabiscos que parecem simples, mas carregam um cuidado silencioso. Os abraços apertados quando o meu dia correu mal, quando a minha paciência se esgotou ou quando a frustração ameaçou tomar conta de mim. Os chocolates que aparecem na minha mão quando percebem que não trouxe lanche, como se dissessem sem palavras: “está tudo bem, hoje cuido eu de ti por um instante”.

E há gestos ainda mais silenciosos, mas igualmente grandiosos: a simpatia de quem limpa as borrachas da mesa para me ajudar, o cuidado em arrumar livros ou cadernos sem que ninguém peça, os olhares atentos que parecem dizer que se importam — mesmo sem palavras.

Não salvam o mundo, talvez, mas salvam o meu dia.
E às vezes o dia é suficiente.
Às vezes, só precisamos de sentir que alguém se importa, que mesmo nas tarefas mais pequenas existe atenção, ternura, humanidade.

Aprendi que a vida não é feita apenas de grandes atos heróicos.
É feita de pequenas gentilezas, de presença silenciosa, de cuidado oferecido sem agenda.
E que, se conseguirmos multiplicar esses gestos, mesmo modestos, conseguimos tornar o quotidiano mais leve, mais humano, mais verdadeiro.

Porque a generosidade não precisa de aplausos.
Ela esconde-se num desenho colorido, num abraço apertado, num chocolate oferecido, num gesto de ajuda silencioso.
E, por vezes, é só isso que precisamos para sentir que ainda vale a pena continuar.

PB

🕯️ escrito num dia em que percebi que o que realmente salva o coração
são pequenos gestos carregados de atenção e ternura.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Querida C.

Boas notas, más notas (ou como tirar 80% e ainda levar sermão)

Quando a Inveja Fala Mais Alto: Ética, Educação e o Silêncio do Mérito