Conta-se uma lenda
Paula e António sabiam que o amor não era só um conto de fadas.
É corpo, desejo, silêncio partilhado, alegria contida e ternura imprevista. É também medo — sobretudo o medo de um perder o outro.
Falavam da morte sem rodeios. Queriam morrer juntos. Não por romantismo, mas porque a vida de um sem o outro seria uma violência demasiado grande para suportar.
Não se viam como metades de uma lenda, mas como dois corpos que se completavam na rotina: na escova de dentes esquecida, no prato partilhado, no silêncio cúmplice ao fim do dia.
Quando chegou a última madrugada, não houve espetáculo, nem vento poético nas ruas. Houve apenas a simplicidade brutal de dois corpos que se renderam ao mesmo tempo.
Morreram de mãos dadas, como tinham vivido: lado a lado, inseparáveis na vida e na morte.
E foi isso, e nada mais — mas também nada menos.
(30 anos juntos)
🌼
PB
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