Lugares onde me perco para me encontrar

Perco-me em livrarias.

Entre prateleiras que cheiram a papel antigo e pó,
sinto que cada livro é uma porta secreta,
e cada página, um mapa para mundos que nunca visitei mas que sempre conheci.
Sento-me no chão frio, rodeada de histórias,
e por um instante, esqueço-me de mim para me reencontrar inteira.

Perco-me em bibliotecas.
O silêncio pesa e protege.
Cada livro fechado é promessa, cada corredor uma viagem que não se anuncia.
O mundo lá fora parece distante, trivial, quase insignificante.
E eu, caminhando entre estantes, encontro-me em cada sombra, em cada riso guardado entre capas.

Perco-me à beira-mar.
O vento desenha na minha pele um alfabeto invisível.
As ondas repetem o mesmo segredo a cada instante,
como se o tempo pudesse ser infinito e ainda assim começar de novo.
E eu caminho na areia, sem direção,
mas com a certeza de que me reencontro em cada passo que afundo na água salgada.

Perco-me num chalet no meio da serra.
O silêncio tem cor de verde, o ar tem gosto de liberdade.
O mundo fica lá em baixo, e eu fico aqui dentro,
com o coração aberto, escutando árvores que sabem segredos que eu não sei.
O fogo na lareira dança, e danço com ele, mesmo sem música,
porque às vezes os lugares têm som próprio, e basta saber ouvir.

E é nesses lugares que me encontro:
não nos dias claros ou planeados,
mas nos instantes roubados à rotina,
nos abraços secretos da solitude,
naquilo que é meu, intocável e verdadeiro.

Porque perder-me é, afinal, o modo mais certeiro de me achar.
E quando volto, volto inteira,
como se cada livro, cada onda, cada árvore tivesse colocado no meu peito uma nova respiração.

PB

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