dias dos irmãos
Há laços que não se explicam. Apenas se vivem. Com a Maria e o Miguel é assim. Amarrados um ao outro por algo mais forte que o tempo, mais teimoso que a distância, mais sincero que qualquer palavra.
Ela é um furacão em dias calmos. Chega antes da pergunta, responde antes de escutar. Refilona por instinto, rebelde por vocação. Cabelo azul como o céu, tem um coração de ouro escondido sob uma armadura de sarcasmo e gargalhadas bem altas. Brilha, mesmo quando tenta não parecer. Transforma em luz tudo à sua volta.
Já ele é o silêncio com profundidade. Observador do mundo, carrega no olhar uma biblioteca inteira. É o tipo de pessoa que ouve com atenção e fala com sabedoria. Vive entre livros, pensamentos e aquela calma que só quem já aprendeu a respeitar o tempo consegue ter. E, mesmo assim, quando se trata da sua irmã, tudo lhe permite e deixa que o mundo dele se desarrume com gosto.
São opostos, mas nunca rivais. São diferentes, mas falam a mesma língua: aquela que é feita de olhares cúmplices, de mensagens não enviadas, de defesas automáticas quando o mundo é cruel demais com um deles. Quando a Maria tropeça nas próprias tempestades, o Miguel está ali, com o guarda-chuva aberto. E quando Miguel se esquece de sorrir, é a Maria quem traz o riso de volta, mesmo sem saber como.
A verdade é que, entre os dois, não há garantias nem promessas, mas há algo raro: um amor que não depende de explicações. Um amor que existe no silêncio e no caos, nos abraços apertados e nas discussões sem sentido, no "vai-te embora" que quer dizer "fica comigo".
Maria e Miguel. Duas metades desiguais, mas feitas do mesmo universo: um sentido de lealdade que lhes ensinei a construir. Irmãos. Refúgio um do outro, mesmo quando fingem que não precisam de ninguém. E, no fim de tudo, sabem, ainda que não digam, que um é o ombro do outro. Quando tudo falha, ali, entre os dois, o coração nunca, mas nunca dá erro.
PB
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