Quando a mesquinhez se faz poeira (e não me afeta)
Há uma raça de gente que mastiga a vida como quem rói ossos secos.
Arma-se em juíza do mundo com a régua torta da sua própria miséria.
São esses que fingem grandeza na pequena vingança,
que acreditam que um sussurro azedo pode rachar muralhas,
que um olhar enviesado tem o poder de desarmar quem já anda armado de amor.
Mas o que não percebem é que o veneno deles só corre no sangue deles.
Que a hipocrisia tem prazo de validade mais curto que o leite fora do frio.
Que a mesquinhez, quando exibida como troféu, só nos dá riso.
E no lugar onde esperavam que houvesse raiva,
há apenas uma pena funda, quase dócil, quase maternal.
Porque o mal que eles nos querem não tem a força que eles julgam.
O que nos toca de verdade vem sempre de outro lugar:
da ternura inesperada,
do abraço sem agenda,
da palavra limpa que chega sem pedir licença.
O resto, essas farpas pequeninas,
são só poeira na pele.
Damos dois passos, sacudimos os ombros,
e seguimos inteiros.
Porque, no fim, o que sobra da hipocrisia dos outros
é só o eco triste de quem nunca aprendeu a ser inteiro.
PB
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