Quando uma mãe perde um filho é como se um pedaço do mundo tivesse sido apagado e o nome dele ecoasse num vazio que nunca volta. A morte de um filho deixa uma ausência tão intensa que não há palavras, apenas um silêncio que pulsa dentro de cada respiração do coração desta mãe. Mas perder um filho não pode ser só sobre ausência ou dor: tem que ser também, e essencialmente, sobre fé. E esperança. A esperança de que a vida não termina no fim do corpo, de que há um reencontro numa outra curva da eternidade, onde o tempo não tem pressa e o amor nunca se perde. Quem parte não desaparece. Volta no sonho leve, no perfume de uma tarde, no canto de um pássaro inesperado, na brisa que sussurra um nome que só o coração entende. Talvez o céu se abra um pouco, todos os dias, para que os olhos da alma possam ver o que os olhos do corpo não alcançam. E ali, na intersecção entre o agora e o sempre, o amor segue vivo, em forma de luz e de paz. Sabes C., o tempo não vai apagar a tua do...
Dizem que as boas notas são o aplauso da escola. Que são medalhas em forma de números. Que são passaporte para um futuro brilhante e um presente orgulhoso. Mas e se, às vezes, as boas notas forem só... disfarces? É que muitas vezes é possível maltratar com boas notas. Acham que não? Há crianças que tiram 19 e acham que falharam. Que tremem nas vésperas dos testes como quem entra numa arena, não numa sala de aula. Que tiram 80%, com esforço, lágrimas e talvez um pacto com todos os santos — e, em vez de “Parabéns!”, ouvem um gelado: “E os outros 20% foram para onde?” É o clássico dos pais sempre insatisfeitos. Que confundem exigência com perfeição. Que acham que amar é empurrar para cima, sem perceber quando o filho já está sem chão. Pais que olham para um 80% e perguntam se o colega do lado tirou mais. Que respondem “Sim, mas…” a todas as vitórias. Que vivem como se os boletins escolares fossem espelhos da sua própria autoestima parental. Mas a verdade é que educar não é exigir semp...
Há uma pobreza que não é material, mas ética e intelectual, e ela revela-se com clareza quando alguém opta por dizer mal dos outros e do seu trabalho, não por crítica construtiva, mas movido pela inveja. A incapacidade de reconhecer o mérito alheio transforma-se, muitas vezes, numa necessidade constante de desvalorização do outro, como se diminuir alguém fosse a única forma de se sentir relevante. A célebre frase “quando João fala de Paulo, diz mais sobre João do que sobre Paulo” resume com precisão esse comportamento. Quem vive apontando falhas alheias expõe, na verdade, as próprias fragilidades: insegurança, falta de competência, ausência de ética e um profundo vazio formativo. O ataque substitui o argumento, a maledicência ocupa o lugar do trabalho sério e a inveja disfarça-se de opinião. Mais grave ainda é quando adultos — que deveriam ser referência — escolhem esse caminho. Ao falar mal de outros adultos, colegas ou profissionais, e ao minar a cabeça dos alunos com coment...
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